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sábado, 13 de junho de 2026

ÍNDIO, O PRECURSOR DO NOSSO FUTEBOL

 
Ainda criança, Aluísio Francisco da Luz saiu da cidade de Cabedelo e foi morar no Rio de Janeiro, então capital do país. De família humilde, logo cedo começou a trabalhar na Cidade Maravilhosa. Naquela época, o nordestino que queria mudar sua situação financeira tinha que se transferir para o eixo Rio-São Paulo.
O divertimento daquele menino era jogar bola nos campos da periferia da cidade, e logo surgiu o apelido de Índio, por causa de suas feições. Quando foi no ano de 1947, o nosso cabedelense iniciou a sua carreira profissional no Bangu Atlético Clube, no qual se destacou por ser um atacante veloz, esperto e goleador. Dois anos depois, o nosso artilheiro foi descoberto pelo Clube de Regatas Flamengo. No time rubro-negro, jogou até o ano de 1957, participando de 202 jogos, passando a ser um dos grandes ídolos do clube. Ele fez parte do elenco e foi um de seus artilheiros no festejado tricampeonato carioca nos anos de 1953, 1954 e 1955.
As seguidas conquistas com a camisa do Flamengo tornaram o seu futebol conhecido em todo o país. Do Flamengo para a Seleção Brasileira foi questão de tempo. Índio vestiu a camisa da então CBD por dez vezes, marcando cinco gols com o uniforme canarinho, participando da Copa do Mundo realizada na Suíça, em 1954, onde fomos desclassificados no tumultuado jogo contra o forte escrete da Hungria, que perdemos por quatro a dois. A glória do primeiro paraibano a integrar a seleção nacional veio nas eliminatórias da Copa de 1958, quando marcou o gol do jogo contra a seleção do Peru, realizado na cidade de Lima, que terminou empatado e foi decisivo para a classificação da nossa seleção para a Suécia.
Índio, ao deixar o Flamengo, foi jogar no forte time do Corinthians Paulista, clube bastante privilegiado e de grande torcida. Depois, transferiu-se para a Europa, onde disputou o Campeonato Espanhol. Em 1965, o nosso craque pendurou as suas cobiçadas chuteiras vestindo a camisa do América Futebol Clube do Rio de Janeiro.
Segundo o saudoso jornalista Ivan Bezerra, Aluísio Francisco da Luz, o Índio, pode ser considerado o primeiro grande craque paraibano, pois jogou em grandes clubes do Sul, como o Flamengo e o Corinthians, disputou eliminatórias e Copa do Mundo com a Seleção Brasileira e vestiu camisas de times da Europa.
Outros craques paraibanos surgiram e fizeram sucesso igual ou maior do que o nosso Índio, como Mazinho, estrela da cidade de Santa Rita, que também jogou no Rio de Janeiro e em São Paulo, na Seleção Brasileira e em grandes times da Europa. Este último disputou duas Copas do Mundo; a primeira como reserva, e na segunda assumiu o lugar do craque Raí e sagrou-se campeão do mundo.
O que não se pode negar é que o grande artilheiro Índio, décimo maior artilheiro da equipe da Gávea, com 140 gols, foi o precursor, digamos, o porta-estandarte a anunciar que o Rei Pelé teria Ferreira jogando ao seu lado, que Zico iria comemorar vários gols abraçado a Júnior, que Roberto Dinamite e Romário iriam agradecer as assistências de Mazinho e que o mundo iria conhecer o nosso incrível Hulk e as atuais revelações Matheus Cunha e Douglas Santos.
E quando foi no dia 19 de abril de 2020, coincidentemente a data em que se comemora o Dia Nacional dos Povos Indígenas, Aluísio Francisco da Luz, aos 89 anos de idade, foi chamado ao encontro do Grande Arquiteto do Universo.
Para nós, torcedores, cronistas e desportistas, ficou a certeza de que Aluísio Francisco da Luz, o popular “Índio”, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol brasileiro.

Serpa Di Lorenzo

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