Ele teve o privilégio de nascer na então pacata e arborizada cidade de João Pessoa - PB, no dia 26 de setembro de 1953. Foi registrado por seus pais com o nome de José Ivo Pereira dos Santos, mas, para o mundo da bola, ficou conhecido como o competente atleta “Café”.
Como era costume naquela época, Café, com apenas dez anos de idade, passou a jogar nos inúmeros campinhos e quadras de peladas da nossa capital, espaços que foram paulatinamente sendo ocupados pela especulação imobiliária e, lamentavelmente, não preservados pela costumeira omissão dos órgãos públicos.
Pois bem. Nas quadras, ele iniciou-se jogando de ala no famoso e saudoso CONCA – Círculo Operário Núcleo de Cruz das Armas, entidade muito ligada à Paróquia São José Operário e aos Freis Franciscanos que atuavam no bairro de Cruz das Armas. Ali, naquele ambiente esportivo, religioso e social, Café jogou com a então bola pesada nas categorias infantil e juvenil.
Nos gramados, ele teve a oportunidade de jogar na disputada categoria juvenil do ABC Futebol Clube, agremiação presidida pelo icônico Abel Vieira, desportista que abriu as portas para inúmeros atletas paraibanos. A equipe alvinegra mandava os seus jogos em um excelente campo que hoje funciona como a feira pública de Jaguaribe. Café também jogou no quadro amador do Internacional de Mandacaru, sempre atuando como volante ou zagueiro central. Os olheiros dos clubes profissionais já estavam observando as suas aptidões com a bola em seus pés.
No final dos anos 60, Café teve o seu passe adquirido pelo Auto Esporte Clube, time que o projetou no futebol paraibano profissional. Com a camisa alvirrubra do clube do povo, ele teve a oportunidade de dividir derrotas e vitórias com atletas como Fernando, Macau, Walter Moreira, Aldemir, Chico Alicate, Carneiro, Marquinhos, Miltinho, Massangana, Toinho Negrinho e outros saudosos companheiros.
Depois de honrar a camisa em várias temporadas do Auto Esporte Clube, Café foi jogar no tricolor do canavial, o Santa Cruz Recreativo Esporte Clube, equipe que, lamentavelmente, deixou de participar do nosso Campeonato Paraibano. Em Santa Rita, precisamente no estádio “Teixeirão”, ele disputou vários jogos ao lado de Geraldo, Calvet, Mimi, Ednaldo, Bebé, Lala, Ademir, Nau Pitanga e do antigo companheiro Chico Alicate. Em 1980, ele resolveu pendurar as suas chuteiras.
Fora dos campos de futebol, Café construiu uma sólida carreira no serviço público estadual, ao ingressar no egrégio Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba para exercer a função de Oficial de Justiça. Ele possui um enorme respeito pelo cargo que exerce e excelentes amigos no mundo dos operadores do direito.
E, para a nossa alegria, como no ano passado, Café estará presente ao 6º Encontro dos Desportistas Paraibanos, evento que será realizado no dia 25 de setembro, a partir das 18 horas, na famosa churrascaria Bastos Tambaú Picanha.
Para nós, torcedores, cronistas e desportistas paraibanos, fica a certeza de que o senhor José Ivo Pereira dos Santos, o popular jogador Café, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.
Serpa Di Lorenzo



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