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| Luís Henrique em ação pela Inter de Milão, da Itália (Foto: Reprodução/X) |
Com a volta dos times do "Velho Continente" aos treinamentos, atletas explicam como recuperação e controle da carga física passaram a ser decisivos na busca por desempenho
Enquanto gigantes do futebol europeu, como Real Madrid, Arsenal, Inter de Milão, Manchester City, Juventus e Brentford, iniciam os trabalhos para a temporada 2026/27, brasileiros que atuam nesses clubes retornam aos centros de treinamento diante de um desafio que se tornou ainda mais complexo nos últimos anos: conciliar desempenho, recuperação e prevenção de lesões em meio a uma agenda de competições cada vez mais extensa.
A pré-temporada deixou de ser apenas um período de retomada física para se consolidar como uma etapa decisiva do planejamento esportivo.
A mudança acompanha a expansão do calendário internacional. O novo Mundial de Clubes, disputado pela primeira vez com 32 equipes, ampliou a carga competitiva dos clubes participantes, enquanto a Copa do Mundo de 2026 passou a reunir 48 seleções e 104 jogos, o maior torneio da história da competição. Somadas às ligas nacionais, aos torneios continentais e aos compromissos com as seleções, essas competições reduziram o intervalo entre temporadas e ampliaram a preocupação com o desgaste físico dos atletas.
Os números ajudam a dimensionar esse cenário. Levantamento da plataforma Player Workload Monitoring, desenvolvida pela FIFPRO em parceria com a Football Benchmark, mostra que os atletas mais utilizados ultrapassam com frequência a marca de 60 partidas por temporada, além de enfrentarem longas viagens internacionais e períodos cada vez menores de recuperação. O estudo também aponta uma tendência de aumento da carga competitiva à medida que novas competições são incorporadas ao calendário internacional.
O relatório reúne ainda um consenso de especialistas das áreas médica e de performance e recomenda salvaguardas mínimas para proteger a saúde dos atletas, entre elas um período de quatro semanas de descanso ao fim da temporada, seguido por outras quatro semanas de recondicionamento antes do retorno às competições.
"Atuar em um clube tão grande como a Inter faz o jogador perceber como cada detalhe da preparação faz diferença. Existe um acompanhamento muito próximo de toda a equipe de performance, desde os treinamentos até a recuperação. A pré-temporada é planejada para que a gente consiga suportar um calendário longo e intenso, então tudo é monitorado para reduzir o risco de lesões e manter um nível alto durante toda a temporada. É um trabalho que vai muito além do que acontece dentro de campo", afirma Luís Henrique, jogador brasileiro que defende a Inter de Milão.
O debate ganhou ainda mais força nos últimos meses. A FIFPRO intensificou as discussões sobre o calendário internacional junto à FIFA e voltou a defender parâmetros mínimos de descanso entre temporadas, argumentando que a expansão das competições precisa ser acompanhada por medidas capazes de preservar a saúde e o desempenho dos jogadores.
Como resposta, os clubes europeus ampliaram o investimento em departamentos multidisciplinares. Preparadores físicos, fisiologistas, nutricionistas, médicos e profissionais de performance passaram a atuar de forma integrada no controle da carga de treinamento, na recuperação muscular e na prevenção de lesões, utilizando tecnologias capazes de monitorar diariamente a condição física de cada atleta.
Nesse contexto, a pré-temporada ganhou uma função ainda mais estratégica. Mais do que recuperar o condicionamento físico, o período passou a ser utilizado para reintroduzir os jogadores às exigências competitivas de forma gradual, respeitando diferentes níveis de desgaste acumulado ao longo da temporada e reduzindo os riscos de lesões antes mesmo do início das competições.
"A pré-temporada passou a ser muito mais estratégica. Com o calendário cada vez mais apertado, os clubes têm menos tempo para preparar os atletas e precisam equilibrar desempenho e prevenção de lesões. Hoje, mais do que treinar forte, é fundamental controlar a carga de trabalho de cada jogador. Esse monitoramento permite ajustar o planejamento de forma individualizada e garantir que a recuperação faça parte do próprio processo de treinamento, mantendo o atleta disponível e competitivo ao longo da temporada", afirma Marcos Adriano Gomes, fisioterapeuta esportivo e especialista pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil).
Na prática, essa transformação já faz parte da rotina dos brasileiros que atuam em alguns dos principais clubes da Europa. Entre monitoramento constante da carga física, protocolos individualizados de recuperação e uma pré-temporada cada vez mais estratégica, eles mostram como a preparação evoluiu dentro dos centros de treinamento e de que maneira recuperar o corpo passou a ser tão importante quanto treinar em campo para enfrentar um calendário sem precedentes.
“O descanso é importante para a cabeça, mas o corpo tem que continuar em movimento. Mesmo nos dias de folga, seguimos uma rotina de treinos leves, controle de sono e alimentação. É um momento importante para recuperar as energias, mas também para voltar melhor preparado para o início da temporada”, afirma o zagueiro Vitor Reis, ex-Palmeiras e atualmente no Manchester City.
Por Thawany Bacelar
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