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| Duelo pela Série B também coloca frente a frente duas filosofias de gestão que ajudam a redesenhar o futebol brasileiro (Foto: Divulgação/Cuiabá) |
O confronto entre Cuiabá e Londrina, pela Série B do Campeonato Brasileiro, vai além das quatro linhas. Em campo, duas equipes disputam pontos importantes na competição. Fora dele, o duelo reúne dois modelos de gestão que representam diferentes caminhos para a transformação estrutural do futebol brasileiro: de um lado, o Cuiabá, referência na profissionalização da administração esportiva; do outro, o Londrina, primeiro clube do país a integrar uma plataforma multiclubes.
O Cuiabá foi o primeiro clube brasileiro a consolidar, na prática, uma gestão totalmente profissionalizada, estruturada em formato empresarial, ainda antes da criação da Lei da SAF. Desde a reestruturação conduzida por Cristiano Dresch, presidente da equipe mato-grossense, o Dourado passou a se destacar pela disciplina financeira, estabilidade administrativa e amadurecimento esportivo.
"É positivo ver o futebol brasileiro discutindo diferentes modelos de gestão. No Cuiabá, nossa convicção sempre foi a de construir um clube sólido, com crescimento sustentável, equilíbrio financeiro e investimentos em infraestrutura e desenvolvimento de atletas. Esse trabalho de longo prazo é o que dá sustentação para competir dentro de campo e continuar evoluindo como instituição", afirma Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá
Com investimento mensal de cerca de R$ 800 mil para as categorias de base, valor que representa quase R$ 10 milhões anuais investidos em estrutura e qualificação dos departamentos, o Cuiabá trabalha fora das quatro linhas com foco no desenvolvimento do setor. Os atletas da equipe atuam no CT Manoel Dresch, inaugurado em 2024 e avaliado em cerca de R$ 50 milhões.
Nos últimos anos, o clube também ampliou a estrutura voltada para preparação física e recuperação dos jogadores. A academia construída no CT recebeu investimento superior a R$ 6 milhões e conta com equipamentos da mesma empresa responsável por tecnologias utilizadas em clubes como PSG, Chelsea, Milan e Juventus.
Do outro lado, o Londrina representa uma nova etapa da profissionalização da gestão esportiva no Brasil. O clube paranaense integra a Squadra Sports, primeira plataforma multiclubes do país, que reúne diferentes equipes sob uma estrutura compartilhada de gestão, inteligência de mercado e desenvolvimento de ativos.
A iniciativa é liderada por Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia e um dos responsáveis pelo processo de profissionalização do clube baiano, além de ter participado das articulações que culminaram na venda da SAF ao Grupo City.
No Londrina, o projeto aposta na integração de dados, formação de atletas e atuação coordenada no mercado de transferências. Entre os planos da plataforma está a expansão internacional, com a aquisição de um clube em Portugal para facilitar o acesso de jogadores ao futebol europeu.
A estrutura também reúne profissionais com experiência no mercado financeiro e em gestão de investimentos, fortalecendo um modelo que trata o futebol como um ativo estratégico. Entre os projetos previstos estão a ampliação do banco de atletas, o intercâmbio entre clubes da plataforma e a construção de um novo centro de treinamento, com investimento estimado em R$ 17 milhões.
Mais do que um confronto pela Série B, a partida coloca frente a frente duas visões distintas de gestão, de um lado, um clube que se consolidou pela organização administrativa e pelo crescimento sustentável; do outro, um projeto que aposta na integração entre diferentes equipes e na lógica de rede para acelerar o desenvolvimento esportivo e financeiro.
Por Thawani Bacelar
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