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| Executivos da indústria avaliam como iniciativa pode contribuir com a profissionalização do futebol brasileiro (Foto: Carlos Moura/Agência Senado) |
O Senado Federal aprovou, na última terça-feira (17), a criação da Universidade do Esporte. O projeto, que agora vai à sanção presidencial, busca formalizar o ensino superior voltado para a formação de árbitros e profissionais do esporte no Brasil. Pioneira na América Latina, a iniciativa foi apresentada em novembro de 2025 pelo Governo Federal e pretende promover o ensino, a pesquisa, a extensão e a inovação no campo da Ciência do Esporte. A Universidade terá sede em Brasília e também poderá contar com campus em outros estados do país.
A previsão inicial é que o projeto atenda até 3 mil estudantes nos primeiros anos de funcionamento. Entre os cursos de graduação e pós-graduação oferecidos, estão áreas como Ciência do Esporte, Educação Física, Gestão Esportiva, Medicina Esportiva, Reabilitação e Nutrição Esportiva. A intenção do Governo Federal é que a universidade comece a funcionar a partir de 2027.
Segundo o ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, a criação da nova universidade, que é fruto de uma parceria entre os ministérios do Esporte e da Educação, faz o Brasil seguir exemplos de outros países bem-sucedidos no âmbito esportivo, “com estruturas acadêmicas voltadas especificamente ao esporte”, comenta.
Paulo Maciel, presidente do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), entidade que trabalha na formação de atletas e fornece pós-graduação em gestão esportiva na UNICAMP, destaca a criação de uma Universidade do Esporte como um passo importante para o desenvolvimento do setor no Brasil: “O esporte moderno exige cada vez mais conhecimento, capacitação e gestão qualificada, tanto dentro quanto fora das quadras e campos. Investir na formação de profissionais especializados é investir em um ecossistema mais forte, capaz de ampliar oportunidades para atletas, treinadores, gestores e pesquisadores. Iniciativas como essa contribuem para deixar um legado duradouro para o esporte brasileiro, fortalecendo sua estrutura e seu impacto social em todo o país”, afirma.
Entre as principais finalidades da universidade, o projeto destaca tópicos como fomento às modalidades femininas, gestão de políticas públicas de esporte, gestão de entidades esportivas e treinamento de atletas, além de promover a equidade de gênero e étnico-racial no esporte.
Outros dos objetivos seriam o incentivo à produção de conhecimento científico e tecnológico aplicado à gestão do esporte e ao treinamento de alto rendimento; o aumento da acessibilidade e da inclusão de pessoas com deficiência para promover o paradesporto; e a promoção do enfrentamento à violência e a qualquer discriminação no esporte. O projeto também prevê mecanismos para que atletas em transição de carreira possam conciliar formação acadêmica com a trajetória esportiva.
Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças no futebol, afirma que a criação de uma universidade voltada especificamente para a formação de profissionais do esporte é um movimento adicional para contribuir especialmente com o desenvolvimento de práticas desportivas para além do futebol, como no caso de modalidades pouco conhecidas ou pouco populares no país. O executivo também destaca a importância de que os recursos sejam aplicados da maneira correta.
“O futebol movimenta bilhões e tem uma força que, em princípio, torna seu desenvolvimento autônomo, como tem sido. O risco que vejo é, em alguns anos, olharmos para essa iniciativa e descobrirmos que 80% dos gastos se perdem dentro da própria estrutura do órgão criado em seu custeio, e apenas 20% chegam à ponta final, objetivo da criação do organismo, como costuma acontecer em iniciativas pouco produtivas capitaneadas por Governos”, ressalta.
Formas de financiamento do projeto
A universidade será vinculada ao Ministério da Educação e os recursos serão provenientes do Orçamento Geral da União, incluindo convênios, contratos, serviços prestados, auxílios e subvenções. Outras das formas de financiamento da Universidade do Esporte serão as verbas arrecadadas por meio da tributação às casas de apostas. Para se ter uma ideia da representatividade dos valores repassados pelo setor, em 2025 (o primeiro ano desde que a regulamentação do setor entrou em vigor) o Governo arrecadou R$ 9,95 bilhões com a tributação das casas de apostas, conforme dados divulgados pela Receita Federal em janeiro. Parte dos valores arrecadados com as bets também é destinada a áreas como segurança pública, saúde e seguridade social.
Para especialistas do setor, o movimento reforça o potencial do segmento como forma de também ajudar a financiar projetos de importância social. "As empresas licenciadas do setor de apostas online geram empregos, recolhem tributos e destinam recursos significativos para o esporte, a cultura e a mídia por meio de patrocínios", afirma Nickolas Tadeu Ribeiro de Campos, fundador e presidente do conselho da Ana Gaming, holding que opera as marcas 7K Bet, Cassino Bet e Vera Bet. João Fraga, CEO da Paag, empresa de tecnologia que oferece plataforma de gestão de risco para o mercado de bets, acrescenta que “o segmento já é responsável por mais de 10 mil empregos diretos e outros 5,5 mil indiretos, movimentando uma ampla cadeia produtiva".
“Investir em educação, pesquisa e formação de profissionais qualificados significa fortalecer toda a cadeia do esporte brasileiro, desde a gestão até o desenvolvimento de atletas. O fato de parte dos recursos provenientes do setor regulado de apostas poder contribuir para esse tipo de projeto mostra como a atividade, quando conduzida dentro das regras estabelecidas, tem capacidade de apoiar iniciativas de interesse público”, complementa André Medeiros, Country Manager da Brazino777 no Brasil.
“Trata-se de um dos setores mais tributados do país e que tem gerado benefícios à sociedade, como apoio à educação e atividades que fazem parte da cultura do povo brasileiro, a exemplo do esporte e do Carnaval", acrescenta Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e sócio do Betlaw, escritório especializado no setor de bets. Já Thiago Garrides, CEO da Cactus Gaming, empresa brasileira de tecnologia especializada no desenvolvimento de soluções para o mercado de apostas esportivas e jogos online, acrescenta: “Projetos como a Universidade do Esporte mostram como os recursos provenientes da regulamentação podem ser direcionados para áreas estratégicas, fortalecendo a educação, a pesquisa, a inclusão e o desenvolvimento do esporte no país”.
Além da arrecadação de impostos e repasses legais, Eduardo Biato, CSO da 1PRA1, patrocinadora do Avaí FC e do Cruzeiro Basquete, destaca que o setor “movimenta uma ampla cadeia produtiva, financia o esporte brasileiro por meio de patrocínios e contribuições previstas em lei e amplia a profissionalização do setor”. Na mesma linha, Diego Bittencourt, CMO da Start Bet, ressalta que “investir na educação evidencia que os recursos gerados pelo setor podem contribuir para a formação de profissionais, produção de conhecimento e fortalecimento do esporte nacional”.
Apesar dos avanços com a regulamentação, a atuação das plataformas clandestinas ainda é preocupação na indústria, por representar até 60% de todo o mercado, segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), André Gelfi. Nessa linha, Daniel Fortune, especialista em conteúdo digital focado na conscientização sobre as bets, destaca a importância do combate ao mercado clandestino, que “opera fora da lei e deixa os apostadores sem qualquer proteção”. Cristiano Costa, psicólogo da EBAC (Empresa Brasileira de Apoio Ao Compulsivo), acrescenta: “Para além da arrecadação e do impacto econômico, é essencial que o segmento avance em mecanismos de identificação precoce de padrões de risco, educação do apostador e fortalecimento de políticas permanentes de jogo responsável”.
Por Leonardo Novaes
Press FC




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