Lutador iraniano é executado por enforcamento apesar da pressão global

Lutador olímpico Navid Afkari foi condenado a morte após protestar contra governo do Irã — Foto: Twitter/ UN Watch
O lutador Navid Afkari foi executado neste sábado no Irã. A informação é do relatório da mídia oficial do país e foi publicada por veículos da imprensa internacional. Ele foi morto por enforcamento na cidade de Shiraz, disse o documento. O caso rodou o mundo, e o país sofreu muita pressão internacional de entidades como a Anistia Internacional e o Comitê Olímpico Internacional, e até mesmo de autoridades como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Contudo, não foi possível evitar que a sentença fosse cumprida.
De acordo com a imprensa local, o corpo não foi nem será devolvido à família. Diante da repercussão do caso, as autoridades querem evitar qualquer tipo de manifestação que possam reunir multidões e fortalecer protestos populares.
A TV estatal, em seu comunicado sobre a execução, citou o presidente do tribunal da província de Fars, Kazem Mousavi, que disse: “A sentença de retaliação contra Navid Afkari, o assassino de Hassan Turkman, foi executada esta manhã na prisão de Adelabad em Shiraz". O lutador tinha sido condenado a duas penas de morte. A organização "Rise for Justice" pediu que órgãos internacionais tomem alguma atitude contra a execução de Navid e defendeu a liberdade de expressão. O mesmo fez a IRAN HRM (Monitor dos Direitos Humanos do Irã) em sua conta no Twitter.
A ativista Nazanin Boniadi, embaixadora da Anistia Internacional do Reino Unido e membro da organização Direitos Humanos no Irã, lamentou a execução. Ela fez um vídeo sobre o assunto.
- Me causa dor em dizer que não fizemos o suficiente para salvar Navid Akfari. Nosso trabalho agora deve ser responsabilizar as autoridades da República Islâmica por essa farsa de justiça. Estou arrasado por sua mãe, que implorou por nossa ajuda. Lamento não ter sido possível salvar Navid.
O caso envolve sérias dúvidas com relação ao tratamento dado ao lutador durante sua prisão e à arbitrariedade da sentença. De acordo com informações recentes obtidas pela Anistia Internacional, Navid Afkari fez uma curta chamada telefônica para sua família no dia 6 de setembro e conseguiu dizer que estava sendo mantido em uma ala da prisão de Adelabad, na cidade de Shiraz, que tem segurança máxima e condições precárias, isso antes de a ligação ser cortada. Desde então, sua família não ouviu mais nada sobre ele.
As autoridades se recusaram a fornecer informação sobre ele ou sobre seus irmãos, Vahid e Habib, que também estariam presos no mesmo local. Navid foi acusado de ter formado um grupo de ação contra o regime do Irã, matado um segurança e participado ativamente de manifestações nas cidades de Kazerun e Shiraz. Ele e seus irmãos tentaram recorrer às sentenças, mas tiveram os pedidos negados.
O pedido de Navid Afkari para uma revisão da pena foi rejeitada pela Suprema Corte rapidamente. Seus pais escreveram uma carta para o chefe do Judiciário, Ebrahim Raisi, denunciando que as confissões foram obtidas sob tortura e pedindo intervenção no caso.
Navid Afkari tinha 27 anos e, além da carreira na luta olímpica, que lhe rendeu títulos no Irã, trabalhava como rebocador. Ele e Vahid foram acusados de esfaquear Hassan Torkaman, um segurança que trabalhava em um prédio do governo, e formar um grupo contra a República do Irã. A única testemunha do caso, um comerciante que estava a quilômetros do local do crime, só teria dito que Navid se parece com o suspeito do assassinato.
A agência HRNA teria conseguido acesso a uma carta escrita por Navid na qual ele relata ter sido torturado para que confirmasse uma série de acusações falsas. Autoridades teriam sufocado o atleta com uma sacola plástica, ele teria apanhado e sido amarrado enquanto autoridades botavam álcool em suas narinas. De acordo com Bahie Namju, mãe dos irmãos, Vahid, condenado a 27 anos de prisão, tentou se matar três vezes por conta das torturas. Na carta que assina com o marido, ela diz que os irmãos foram "repetidamente agredidos e torturados durante interrogações para que fossem extraídas confissões".
Recentemente, foi divulgado um vídeo com a voz de Navid Afkari no qual ele pedia ajuda não só ao povo iraniano, mas para qualquer pessoa que valorize a dignidade humana. Ele reafirmava sua inocência e dizia ter uma série de documentos que comprovam que as acusações são falsas. Bahie Namju também garante que os filhos não tiverem nenhuma chance de defesa durante os julgamentos.
Hassan Younesi, advogado que representa os irmãos, disse no Twitter que as confissões foram extraídas sob tortura, e que não deixaram os rapazes terem o advogado presente durante a interrogação no tribunal.

Por Redação do GE
Rio de Janeiro
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Inicio Joao Filho

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