Vice-campeão olímpico melhora da Covid-19, diz que temeu morte e alerta: "Situação pior que na TV"

Márcio Araújo mostra mensagem em seu Instagram — Foto: Reprodução
Um dia depois de revelar o drama de não conseguir um leito de UTI em Fortaleza para se tratar da Covid-19, o vice-campeão olímpico Márcio Araújo, de 46 anos, afirmou ao GloboEsporte.com neste domingo que teve melhora, mas ainda está "sofrendo um pouco para respirar".
O ex-jogador de Vôlei de Praia, que foi medalhista de prata nas Olimpíadas de Pequim ao lado de Fábio Luiz, contou que "quase morreu de sexta para sábado", quando seu quadro teve agravamento e ele não conseguiu se tornar em um hospital privado da capital cearense - que estava superlotado.
- Eu ainda estou sofrendo com a respiração, mas pelo menos não estou mais com febre, acho que por estar medicado. A minha dor de cabeça, que estava "matando", agora baixou. Eu estou com pouca. Estou medindo [a saturação] com o oxímetro. Está melhorando - comentou.
Como não conseguiu vaga em leito, Márcio está em seu apartamento em Fortaleza com a mulher, Juliana, que está grávida de oito meses de Mariana, e as filhas Mirela, Júlia e Melissa. O medalhista olímpico se isolou em um cômodo para não contaminar suas familiares.
- Eu voltei para meu apartamento e me isolei da minha esposa. Estou em um quarto, recebendo comida debaixo da porta. É uma coisa de doido. Mas vou sobrevivendo, tomando remédio. Me passaram um coquetel - disse.
O drama começou na quarta-feira, quando apareceram sinais. Márcio teve forte dor de cabeça, febre alta e dificuldade para respirar. Procurou o hospital onde costuma ir, foi submetido a uma tomografia e foi informado de que seus pulmões estavam comprometidos. A saturação, abaixo de 90%. Como havia superlotação, recebeu a recomendação de voltar para casa e se recuperar lá.
Márcio decidiu, então, ir para uma casa de praia a cerca de 60km de Fortaleza, apesar de debilitado. Rapidamente percebeu que se tratava de um "erro".
- Foi um erro. Eu dormi mal de quinta para sexta. Na sexta fiquei ainda pior, com dificuldade para respirar, muita falta de oxigênio. Peguei o meu carro e voltei. Na estrada, tive ânsia de desmaio duas vezes. Tive de me segurar com muita força para não desmaiar. No hospital, novamente estava tudo muito lotado, mas até fui atendido com rapidez. Eu queria me internar, precisava de oxigênio, mas a médica disse que era psicológico. Só que 40% do pulmão comprometido - afirmou.
Quando voltou para casa, o pior passou pela cabeça:
- Quase morri de sexta para sábado - relatou.
Depois do susto, que o fez compartilhar a postagem no Instagram, ele enfim teve uma ligeira melhora. A evolução de seu quadro, porém, não o faz fechar os olhos para a tragédia que a pandemia do novo coronavírus vai deixando pelo Brasil.
- A situação está muito pior do que na televisão. É muita ambulância chegando, muita gente idosa. E vi que tinha gente que não ia aguentar. Eu vi que não era prioridade na frente daquelas pessoas. Infelizmente, as pessoas não respeitaram o isolamento, colapsaram os hospitais e o sistema de saúde. E gente que respeitou a quarentena não tem vaga - concluiu.

Por Paulo Roberto Conde 
Globoesporte.com
São Paulo
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