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segunda-feira, 11 de maio de 2020

Jogos com espectadores só devem ocorrer após vacina, indica relatório de instituto da UFPR

Foto: Divulgação 
Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná ligados ao Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva divulgaram, na última semana, o documento Recomendações e Orientações Gerais para o Esporte Brasileiro frente à COVID-19. Trata-se do primeiro material elaborado sobre o esporte diante da pandemia, amparado em evidências científicas. A proposta surgiu a partir de um ciclo de debates semanais realizados no canal do Youtube do grupo e tem entre seus principais pontos a defesa das indicações das autoridades sanitárias e a conclusão de que jogos com os espectadores só devem ocorrer após a descoberta de uma vacina contra a doença. O projeto de pesquisa “Inteligência Esportiva” (IE) é uma ação conjunta entre o Centro de Pesquisa em Esporte, Lazer e Sociedade (CEPELS) da UFPR e a Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento (SNEAR) do Ministério do Esporte. 
De acordo com o professor Fernando Mezzadri, que assina o documento junto com o coordenador da comissão de integridade da Federação Paulista de Futebol, o advogado Paulo Schimitt, no cenário que se apresenta hoje, de manutenção de isolamento social, as práticas esportivas deverão se limitar as atividades física e esportivas sem nenhum contato físico e mantendo a distância de pelo menos um metro. 
“As atividades devem se limitar em práticas como caminhada, ciclismo, corrida, exercícios em casa, yoga, alongamentos, entre outras, sempre evitando qualquer forma de aglomeração ou de incentivo à circulação de pessoas. Sempre que possível as pessoal podem caminhar perto de suas residências e não devem procurar ir aos parques para realizar as atividades”, explica Mezzadri. Segundo ele, este não é o momento para a reabertura de academias, por exemplo. 
O relatório apresenta premissas e fatores de risco a serem levados em conta, indicando a importância  do uso de máscaras e de equipamentos de proteção individual e da higienização e desinfecção de locais e objetos. A existência de uma infra-estrutura adequada para que tudo isso ocorra também é imprescindível.
No que diz respeito à prática profissional é preciso, quando houver possibilidade de retomada, levar em conta uma série de cuidados, como diagnosticar atletas e demais envolvidos, medir a temperatura e fazer testagem rápidas em quem frequenta os centros de treinamento e pensar em realizar eventos em localidades menos afetadas pela doença, com ausência de público. Mas isso, reforça Mezzadri, não deve ocorrer agora. “Tanto os atletas quanto as pessoas devem fazer os testes como uma forma de controle e precaução, mas a volta aos treinamentos normais e as competições ainda não devem ocorrer agora. Consideramos muito precipitado o retorno as competições pelo atual estágio da pandemia no Brasil”, explica. 
Torcidas só quando houver vacina 
O documento também sugere que jogos com espectadores só devem ser retomados quando houver vacina e aponta quatro cenários possíveis para a pandemia: o de isolamento social, o de atividades autorizadas em funcionamento, o de um retorno gradativo e o da retomada total. No caso de se autorizarem determinadas atividades, por exemplo, é necessário que não haja contato físico e que haja medidas rígidas de desinfecção, higiene e uso de proteção.
Já num cenário de retorno gradativo de competições, deve haver cautela quanto à uma pequena separação de grupos durante o treinamento. Todos os integrantes das equipes técnicas devem estar protegidos. “Gestores públicos, da iniciativa privada, atletas e espectadores terão que compreender o atual momento. Sabemos que as competições não devem começar agora, não podemos ter contato físico e a grande maioria das modalidades esportiva requer esse contato“, evidencia Mezzadri.
Ele lembra que o esporte  profissional movimenta em torno de 2.5 trilhões de dólares por ano, no mundo, e que várias competições já foram canceladas, tais como Jogos Olímpicos e  NBA. “Mesmo os campeonatos estaduais no Brasil estão suspensos, o que está impactando fortemente esse mercado“.  Por conta disso, o professor sugere, no nosso caso o futebol, que gestores busquem ações para proteger os  milhares de jogadores que ganham até três salários mínimos e já estão perdendo seus contratos. “Dificilmente haverá jogos com torcida enquanto não existir uma vacina para a COVID-19“, reforça. 
Qualquer que seja o cenário, o relatório estabelece que é necessário seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e adotar medidas educativas, com rigor quanto aos aspectos relacionadas à higiene. A expectativa compartilhada pelos pesquisadores é de que a retomada gradual das atividades só comece a ocorrer em médio ou longo prazo. 

Fonte: UFPR

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