Causos & Lendas do Nosso Futebol: Quem Sabe Faz a Hora Não Espera Acontecer; "Pra Não Dizer Que Não Falei da Operação Cartola"


De repente, um dia após a decisão do campeonato paraibano de futebol, precisamente no dia nove de abril de 2018, a Polícia Civil e o Ministério Público estadual divulgaram a existência de uma operação denominada de “Cartola”, por supostamente envolver membros da FPF, do TJDF-PB, da CEAF-PB e dirigentes de clubes. A divulgação ocorreu através da mídia e especialmente no programa Fantástico, da Rede Globo. Uma bomba que estourou maculando toda a estrutura do nosso futebol.
As investigações mostraram, através de depoimentos, escuta telefônica e documentos apreendidos por ordem judicial, supostas conversas e favores entre os dirigentes das entidades acima citadas com o intuito de se obter resultados por meios ilícitos.
Aqui não nos compete dissecar sobre o mérito das acusações e sobre o envolvimento de seus partícipes, função que vem sendo exercida pela douta justiça paraibana. Todavia, quem milita e acompanha o nosso futebol já sabia, por ouvir dizer da “proximidade” de certos cartolas com determinados árbitros de nosso futebol.
Pois bem, o presidente da FPF, que tinha sido eleito através de um grupo que almeja eternidade na entidade, foi devidamente afastado do cargo. Mesmo assim, depois de muita celeuma, discussão e “acordos noturnos” para o cargo, foi eleita outra pessoa com o endosso daqueles que estão se perpetuando naquela entidade mantenedora do futebol tabajarino.
Já no TJDF-PB, a nossa corte desportiva, houve uma mudança em toda a sua estrutura, com a destituição de todos os seus auditores das comissões e pleno, como também em sua procuradoria. O fato da mudança de seus membros, por si só, acredito eu, foi bastante salutar e necessário, pois determinados membros da corte já exerciam o cargo por quase dez anos, ininterruptamente, contrariando a legislação e o bom senso. Esperamos trabalho, transparência e idoneidade dos novos advogados investidos.
Na CEAF-PB, órgão importante e nevrálgico para o futebol, houve um tsunami que varreu o seu presidente e os respectivos árbitros e bandeirinhas, sendo afastados e substituídos por arbitragem de fora, e, em consequência, outros já foram formados para atuar em nossos gramados. Esperamos que os novos árbitros exerçam o seu papel observando apenas as regras do futebol. O tempo nos responderá.
Com relação aos clubes que tiveram seus dirigentes envolvidos nessa investigação de repercussão nacional, Campinense e Botafogo, o rubro-negro da Serra da Borborema vem tentando superar o trauma, porém ainda não conseguiu voltar a ser o que representa no cenário paraibano e nordestino. Esperamos que os novos dirigentes da raposa passem uma borracha nesses lamentáveis fatos, planejem e organizem a agremiação e voltem a ganhar títulos e acessos sem precisar da prática de supostas ilicitudes.
Bem, com relação ao alvinegro da estrela vermelha, as denúncias surtiram um efeito muito bom para a agremiação, pois foi o clube que teve o maior número de envolvidos citados e, com a obrigação de afastá-los, foi necessário compor outra diretoria, e essas pessoas que assumiram, que não são grandes empresários -  em sua maioria funcionários públicos - estão até o momento demonstrando uma mentalidade progressista, democrática e transparente.
O Botafogo que vivia semanalmente brigando com uma emissora de rádio da capital apenas pelo fato da mesma expor a sua opinião técnica e crítica, parece que deixou de existir. O Botafogo que pintava os vestiários do estádio Almeidão, que não lhe pertence, parece que não existe mais. O Botafogo que dificultava a legitima entrada da imprensa esportiva pelo portão respectivo, parece que é coisa do passado.
Em contrapartida, o belo já começou a disputar campeonatos na modalidade de futsal, voleyball, basquete, lançou uma marca de cerveja, registrou a sua marca belo 1931 e passou a planejar uma sede que já era para existir há pelo menos uma década, conforme lição dada pelos heróis do projeto avante.
Olhando por esse prisma, por essas mudanças nas estruturas do futebol paraibano, começo a acreditar que se não tivesse ocorrido a operação cartola em nosso estado, essas entidades ainda estariam com a mesma roupagem e mentalidade que anualmente vêm afastando os homens de bem e as famílias dos nosso estádios.
Precisamos de mais e contínuas mudanças, mas o primeiro passo foi dado, bola pra frente

Serpa Di Lorenzo
Historiador, Membro da ACEP e APBCE
falserpa@oi.com.br
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