Causos & Lendas do Nosso Futebol: A Presença de Garrincha em Nossos Gramados - Parte III

Foto: Garrincha com a camisa do Esporte de Patos
"Sua ilusão entra em campo no estádio vazio,
Uma torcida de sonhos aplaude talvez,
O velho atleta recorda as jogadas felizes,
Mata a saudade no peito driblando a emoção". (Moacyr Franco)
Como já relatado nos dois artigos anteriores, Garrincha jogou com as camisas do Treze Futebol Clube e do Botafogo Futebol Clube, em Campina Grande e em João pessoa, nos anos de 1968 e 1973, respectivamente.
Hoje iremos registrar a presença de Manuel Francisco dos Santos, a “Alegria do Povo” nos irregulares gramados do nosso sertão paraibano, quando ele jogou nas belíssimas e hospitaleiras cidades de Cajazeiras e Patos.
Essas partidas amistosas e festivas aconteceram no mês de setembro do ano de 1973, primeiro na cidade do Padre Rolim, no antigo Estádio Higino Pires Ferreira, quando Garrincha vestiu a camisa do então Botafogo de Cajazeiras contra um combinado das equipes cearenses do Guarany e do Icasa, ambas da cidade de Juazeiro do Norte. Este jogo festivo foi arbitrado pelo juiz Arnaldo Lima.
Garrincha com a camisa do Botafogo de Cajazeiras
O extinto Botafogo cajazeirense entrou em campo com Ademilson, Zé do Caldo, Batista, Fernando Frade e Douglas, Zamba, Perpétuo, Garrincha, Nena  e Bil. O pequeno e aconchegante estádio estava com todas as suas dependências lotadas e a cidade toda em festa, desportistas de cidades vizinhas compareceram para assistirem aquela festa.
O jogador Perpétuo, acima citado e que participou daquele jogo espetáculo, foi considerado por muitos o melhor jogador da cidade de Cajazeiras de todos os tempos. Vitima de tétano, ele faleceu precocemente em 1977 e o atual estádio da cidade foi inaugurado com o seu nome Perpétuo Correia Lima, o “Perpetrão”.
Poucos dias depois, Garrincha fez mais uma partida exibição, desta vez na cidade de Patos, no dia sete de setembro, data inesquecível para os moradores da cidade morada do sol. O maior ponta direita do mundo chegou à cidade um dia antes e se hospedou em um hotel central que logo virou aglomeração de fãs.
A partida começou às dezessete horas daquele domingo ensolarado, o Estádio Municipal José Cavalcanti estava lotado e Garrincha defendeu as cores do Esporte Clube de Patos, que enfrentou e venceu o antigo Botafogo de Cajazeiras pelo placar de três tentos a dois.
Foi um privilégio para os paraibanos amantes do futebol arte assistirem, ao vivo e a cores, uma lenda que foi campeã do mundo na Suécia, bi-campeão do mundo no Chile, e que reinou no Maracanã e nos maiores estádios do mundo.
Obrigado, Mané Garrincha, pelas alegrias e emoções que nos proporcionasse jogando em nossos gramados!

Serpa Di Lorenzo
Historiador, Membro da ACEP e APBCE
falserpa@oi.com.br
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