Coluna de Eduardo Araújo: Rotatividade

Quatro rodadas, quatro técnicos demitidos. Nosso certame estadual já tem um percentual de 40% de treinadores retirados precocemente dos seus cargos, são eles, em ordem cronológica: Jazon Vieira (Souza), Maurílio Silva (Treze), Luciano Silva (Serrano) e Índio Ferreira (Nacional).
Aqui, não iremos julgar as decisões concretas dos dirigentes, mas dissertar acerca de algumas indagações relacionadas ao alto rodízio dos treinadores nos clubes brasileiros. Qual a hora certa de demitir? A elevada rotatividade prejudica ou ajuda os clubes?
A primeira pergunta é de difícil ou impossível resposta, afinal são inúmeras variáveis a serem levadas em consideração. Entretanto, o índice de aproveitamento da equipe é, em resumo, o ponto chave analisado pelas diretorias para a modificação do comando. Alguns outros elementos são utilizados: desempenho técnico, ambiente de vestiário, estrutura tática, vontade da torcida, críticas da imprensa, questões financeiras, entre outros.
Com relação à segunda questão, a resposta é evidente: a alta rotatividade prejudica sobremaneira no longo prazo. A troca de técnico pode até trazer benefícios de curto prazo, porém o planejamento estratégico do clube, com certeza, fica prejudicado. A formação do elenco, o sistema de treinamentos e outras valências praticadas no futebol acabam se perdendo ou sendo em vão com a mudança da mentalidade do líder, intrínseca à função de treinador.
Acredito que o grande culpado das demissões é o processo de escolha na hora de contratar. Qualquer clube e/ou dirigente tem seu estilo próprio de pensar o futebol e a forma como quer sua equipe atuando. Muitas vezes o treinador tem alto índice de aproveitamento, mas um esquema tático de compactação e defesa com resultados magros, causando críticas por parte da torcida e da imprensa, desaguando na demissão.
Assim, é nítido que esse aspecto deve ser levado em consideração na hora de realizar a contratação do treinador e a formação do elenco. A cultura interna do clube deve ser observada e não é porque determinado treinador ou atleta foi bem em outra equipe que necessariamente fará o encaixe ideal na nova. Ora, a cultura desejada pode e normalmente é diferente.
Um caso de grande valor para dissecar o tema foi a manutenção de Tite no Corinthians após a eliminação precoce na Libertadores de 2011. Após a surpreende derrota para o Tolima na Libertadores e a permanência do atual técnico da Seleção Brasileira no cargo, o clube abraçou um intenso volume de vitórias e títulos, tornando Tite, indiscutivelmente, o melhor treinador brasileiro na atualidade.
Particularmente, utilizo duas premissas básicas na hora de avaliar o trabalho do treinador: o ambiente de vestiário e s evolução da equipe quando comparada ao potencial do elenco. Sendo positiva a avaliação desses dois aspectos, entendo que o resultado das partidas entra apenas como terceiro elemento a ser utilizado no processo decisório acerca do labor do comandante técnico, sob pena de jogar por água abaixo todo o planejamento da temporada.

Eduardo Araújo
Advogado
eduardomarceloaraujo@hotmail.com
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