Causos & Lendas do Nosso Futebol: Você se Lembra de Fernando


Nascido na cidade de João Pessoa, precisamente no dia 13 de junho de 1946, ainda garoto Fernando Antônio Cavalcanti chegou para integrar as categorias de base do Botafogo Futebol Clube, e ser orientado pelo então abnegado treinador Aluísio Cantalice, conhecido por “Aluísio Ventola”, isso por volta de 1962.
Mesmo com a pouca idade e sem experiência, ao completar 16 anos Fernando começou a ser aproveitado na equipe profissional do clube, pois o competente treinador Eurivaldo Guerra, “Seu Vavá”, logo enxergou naquele garoto as qualidades de um grande goleiro.
Um belo dia o clube foi jogar em Campina Grande, no Estádio Presidente Vargas contra o Treze Futebol Clube, e os respectivos goleiros, titular e reserva não puderam jogar, resultando na prematura estréia de Fernando no quadro profissional e com a camisa de número 1 do Botafogo Futebol Clube. Naquela partida o nosso homenageado sofreu cinco gols e o seu clube marcou apenas um. A torcida não perdoou o técnico e o jovem goleiro, inúmeras, foram, as críticas pela goleada sofrida.

Na semana posterior a derrota, o Botafogo enfrentou o extinto Esporte Clube União, no antigo Estádio Leonardo da Silveira, e novamente Fernando foi escalado como titular e fechou o gol, saindo de campo como o melhor jogador da partida. Daí em diante ele se firmou como um grande goleiro que nos seguintes e sucessivos anos seria destaque no estado. As pazes foram feitas com a torcida e nunca mais rompidas.
E quando foi no dia 04 de agosto de 1968, novamente no Estádio Presidente Vargas, veio o primeiro título e a consagração daquele jovem goleiro, que defendia com competência, frieza e segurança o gol do Botafogo; trazendo a taça para a cidade de João Pessoa, depois de dez anos. A capital em festa passou a decorar aquela escalação de heróis composta por Fernando, Lúcio Mauro, Lando, Édson e Zezito, Toínho e Nininho, Dissor, Jaílson, Roberto e Zito.
Em 1969 e 1970, Fernando voltou a ser bi e tricampeão, respectivamente, pelo Botafogo. Goleiros como Lula, União e Geraldo Chorão foram seus reservas. Várias equipes do Nordeste, dentre elas o Ceará Sporting, tentaram comprar o seu passe, porém nunca houve interesse seu nem da sua família. Ele sempre exerceu atividade profissional extra-campo.
Fernando ainda defendeu, na década de 70, as cores do Auto Esporte Clube e do Campinense Clube, como também realizou algumas partidas com a camisa do América da cidade de Esperança.
Quando jogava no Auto Esporte Clube, o nosso homenageado participou do jogo inaugural dos refletores do Estádio Almeidão, no dia 15 de agosto 1975, enfrentando o poderoso Clube de Regatas Flamengo de Zico, Geraldo, Doval ,Luisinho e Júnior. Em 1976 ele pendurou as suas famosas chuteiras e foi cuidar da sua vida empresarial e familiar.
Mesmo jogando nessas outras equipes paraibanas, com bastante dedicação e zelo, o nome de Fernando ficou marcado, escrito e associado ao nome do alvinegro do antigo campo do Boi Só, por vários fatores. Primeiro, por ter chegado ao clube ainda menino. Segundo, por ter participado da memorável campanha de 68 e ter sido tricampeão. Terceiro, por ser filho do saudoso senhor Américo Cavalcanti, enfermeiro que muito contribuiu com o clube. Quarto, o seu irmão conhecido por “Américo” também foi goleiro do clube.
Décadas já se passaram, outros títulos e excelentes goleiros foram obtidos pelo clube, como o próprio Lula, Salvino, Hélio Show, Pompéia, Pedrinho, Genivaldo e tantos outros. Mas quando perguntamos aos torcedores e cronistas qual foi o goleiro que marcou época com a camisa alvinegra, sem pensar duas vezes eles respondem que Fernando foi o melhor de todos.
Bem, eu sou suspeito em dizer que Fernando foi o melhor de todos e em todas as épocas, pois desde criança que sou seu fã, e por duas vezes tive a oportunidade de homenageá-lo, uma, dentro do Almeidão, com a torcida gritando por seu nome, a outra no “I Encontro de Desportistas da Paraíba”, recentemente realizado na churrascaria Bastos Gold.
Para nós, torcedores, cronistas e desportistas ficou a certeza de que Fernando Antônio Cavalcanti, o popular “Fernando”, escreveu o seu nome, com tintas douradas e perpétuas, na brilhante história do futebol paraibano.

Serpa Di Lorenzo
Membro Pleno do TJDF PB, da ACEP e APBCE
falserpa@oi.com.br 
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