Treinador campeão do Nordeste em 2013 pelo Campinense relata momentos difíceis com a Covid-19 e lembra morte do amigo Marcelo Veiga

Oliveira Canindé e seu irmão, Thor, no hospital enquanto se recupera das complicações causadas pela Covid-19 — Foto: Acervo pessoal/Oliveira Canindé
O experiente treinador Oliveira Canindé está internado em Fortaleza após passar por um período difícil provocado pela Covid-19. A reportagem do ge Paraíba conversou com o técnico cearense, que contou com detalhes como acabou se contaminando pelo vírus, os momentos difíceis que o levaram à internação e o medo do desconhecido, relembrando também a morte do amigo Marcelo Veiga, que aconteceu no mês passado em decorrência do novo coronavírus.
Oliveira Canindé tem 55 anos e é natural da cidade que carrega em seu segundo nome, que fica no interior do Ceará. Em dezembro do ano passado, o treinador acertou com o Bahia de Feira, isso para a disputa do Campeonato Baiano e também para a Série D do Campeonato Brasileiro de 2021. Tudo estava caminhando bem para ele assumir o Tremendão, até que um deslize em tempos de pandemia acabou mudando os rumos, pelo menos até então.
Eu passei vários meses me resguardando, mas acabei aceitando um convite para uma inauguração de um campo aqui no meu interior. Passei um tempo na casa da minha mãe e depois fui para essa confraternização com muita gente. Depois disso, comecei a apresentar alguns sintomas — disse Canindé.
O fato é que esses sintomas já eram de Covid-19. Diante dessa situação, Oliveira Canindé procurou auxílio médico. Foram idas e vindas até o hospital, além se seguir as recomendações durante 14 dias de infecção pelo vírus que já vitimou mais de 215 mil brasileiros.
Fiquei em casa me cuidando, mas aí apareceram muitas dores, cansaço, não sentia gosto nem cheiro de nada. Aí foi complicado. Eu fui ao médico, fiz uns exames e depois acusou Covid-19. Eu voltei para casa, segui com os cuidados, mas aí apareceram alguns problemas, muita tosse. Voltei ao médico e fiz novos exames, que acabaram acusando que o pulmão estava comprometido. Segui o que foi recomendado e voltei para casa — relatou.
Em meio ao caos que estava vivendo, Canindé tinha um grande medo: terminar internado. Isso porque a morte do colega de profissão e amigo Marcelo Veiga acabou abalando-o demais. O histórico técnico do Bragantino tinha 56 anos e não resistiu às complicações causadas pela Covid-19.
Além do prejuízo físico, o abalo psicológico foi bastante pesado. E, infelizmente, não houve outra alternativa: Oliveira Canindé acabou tendo que ser internado num hospital em Fortaleza.
Tive muito medo de ser internado, ainda mais depois do que aconteceu com o meu amigo Marcelo Veiga. Eu gostava muito dele e fiquei assustado com o que aconteceu com ele. De repente, já depois de passar mais de 15 dias em isolamento, recuperado, chegou o dia de me apresentar ao Bahia de Feira. Estava pronto para viajar, mas aí vieram dores de cabeça, isso na segunda-feira da semana passada. Foi uma dor bem forte, algo que nunca havia sentido, aí segui imediatamente para o médico. Lá, ele disse que eu precisaria ficar internado. E, desde então, sigo internado — contou o técnico cearense.
De lá para cá, Oliveira Canindé completou mais de uma semana de internação, tudo isso para cuidar de um trombo, uma sequela que acontece com alguns pacientes que tiveram contato com o vírus. No entanto, o lado positivo é que ele está respondendo bem ao tratamento e já está há dois dias sem dores. A expectativa, inclusive, é que ele deixe o hospital até esta quarta-feira.
Eu estou próximo de receber alta, mas foi um momento terrível esse que eu passei. Mas quero avisar que recebi um atendimento muito bom. Acho que até em momentos de dificuldades nós encontramos prazeres nas pequenas coisas, e foi isso que aconteceu nesse tempo de hospital. Está tudo bem agora, estou me sentindo bem, sem dores. Acredito que nos próximos dias eu voltarei ao batente. Ainda bem que o susto passou, porque foi muito grande, tanto para mim quanto para a minha família — revelou o treinador.
Ao longo de sua carreira, Canindé acumulou passagens por várias equipes, como os casos de América-RN, Santa Cruz, CSA, Altos, Floresta-CE, River-PI, Remo, Treze e Campinense. Pelo Rubro-Negro paraibano, ele fez história ao conquistar a Copa do Nordeste em 2013. Ele também já foi bicampeão piauiense, campeão potiguar e levantou a taça da Copa Fares Lopes, no Ceará.
O seu último trabalho na temporada 2020 foi pelo Atlético de Cajazeiras. A partir de agora, a missão vai ser no Bahia de Feira, que espera atentamente a recuperação do seu treinador para, assim, começar a pré-temporada.
Enquanto conta os dias para estar 100%, Oliveira Canindé faz um apelo à população: deseja que todos que tiverem a oportunidade se vacinem contra essa doença que segue vitimando milhões de pessoas em todo o mundo.
Essa Covid-19 ataca os pontos vulneráveis, ela sabe onde encontrar esses pontos. Para quem tem a oportunidade de se vacinar, aproveite e se vacine. Eu peço que a população fique esperta, não dê mole para o vírus, principalmente para quem tem mais de 50 anos como eu — finalizou.

Por Cisco Nobre e Izabel Rodrigues 
GE João Pessoa
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