Suspenso por assédio sexual, atual presidente da Confederação Brasileira de Handebol renuncia

Manoel, presidente afastado da CBHb, e Ricardinho, vice que estava no comando e agora renunciou ao cargo — Foto: Divulgação
Presidente exercício CBHb (Confederação Brasileira de Handebol, Ricardo Souza, o Ricardinho, renunciou ao cargo nesta quinta-feira. Na carta de renúncia, o dirigente, que é vice-presidente, diz que a decisão é decisão é "de forma irretratável e irrevogável".
O presidente eleito da entidade, Manoel Luiz Oliveira, foi afastado em setembro por decisão judicial acusado de mau uso do dinheiro público durante o Campeonato Mundial de 2011, sediado no Brasil. Vice eleito na mesma eleição, Ricardinho cumpre suspensão de dois anos estipulada pelo conselho de ética do Comitê Olímpico do Brasil (COB) por acusação de assédio sexual durante os Jogos Pan-Americanos de Lima, mas mesmo assim seguia no cargo da entidade da modalidade por conta de uma liminar. Enfim, a entidade está há alguns meses em uma enorme crise.
Na terça-feira passada, Ricardinho apresentou um um atestado médico e pediu afastamento da presidência por 30 dias. A estratégia do dirigente era conseguir com que o COB (Comitê Olímpico do Brasil) liberasse dinheiro já existente para que a seleção masculina de handebol pudesse disputar o Campeonato Mundial no Egito, em janeiro. O COB não libera mais verbas para a CBHb desde que Ricardinho foi suspenso pelo caso de assédio sexual no Pan de Lima, ano passado. Sem verba do COB e sem recursos próprios, o Brasil não tinha como ir para o Mundial.
A seleção masculina ainda tem um pré-olímpico para disputar em 2021, mas ficou sem viajar para treinamentos na Europa, no mês passado, porque o COB não aceitou bancar uma entidade presidida por alguém suspenso na Missão Europa, projeto que bancou mais de 200 atletas em fases de treinamento e competição fora do Brasil durante o segundo semestre deste ano. Agora, sem Ricardinho, a expectativa é que o handebol brasileiro retome treinamentos e competições no exterior. A seleção feminina já está classificada para os Jogos Olímpicos de Tóquio graças ao ouro conquistado no Pan de Lima.
LEIA ÍNTEGRA DA CARTA DE RENÚNCIA
É do conhecimento de todos o que ocorreu na mina vida nos últimos meses. Fui alvo de um linchamento moral que nem os piores criminosos do país sofreram. Não tive sequer o direito de cumprir a pena a que fui condenado após os recursos, direito este conferido a qualquer criminoso do país, mesmo na certeza da injustiça feita contra minha pessoa.
Apesar disso e de toda a perseguição política que sofri, acredito que consegui deixar a Confederação Brasileira de Handebol melhor do que estava quando assumi a presidência, com importantes conquistas diante de um dos piores cenários financeiros encontrado na CBHb.
Agora a verdade começa a transparecer, tanto que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro me deu o direito de retornar ao cargo do qual fui afastado. Temos uma biografia límpida construída ao longo de 30 anos dedicados ao esporte, e isto será provado em breve.
Mesmo tendo o direito de permanecer no cargo para o qual fui eleito democraticamente, assegurado por uma decisão judicial, resolvi renunciar à presidência da entidade, para que a perseguição dirigida à minha pessoa não acabe por prejudicar todo o handebol, que é um patrimônio do povo brasileiro, e que as pessoas passam, mas as instituições ficam. Muitos já passaram e a CBHb e o handebol permanecem.
Por amor ao esporte, ao qual tenho muito zelo e gratidão, além de todos aqueles que fazem e fizeram o handebol nacional, renuncio de forma irretratável e irrevogável ao cargo de primeiro vice-presidente (atualmente no exercício da presidência) da CBHb.
Seleção sofre com problemas políticos
Em outubro, muitos atletas, incluindo a melhor jogadora do país na atualidade Duda Amorim, que atua do Gyor, da Hungria, e uma das maiores atletas da história, Dani Piedade, fizeram uma carta aberta dizendo que a maioria da comunidade do handebol está incomodada com o fato de Ricardo Souza seguir no cargo apesar da punição imposta pelo COB. O capitão da seleção masculina, Thiagus Petrus, entre outros atletas, também se posicionaram.
Toda essa questão judicial está acontecendo em um ano pré-olímpico, em que a seleção masculina do Brasil ainda não está classificada para Tóquio 2021. Após o bronze no Pan de 2019 e a perda da vaga olímpica, Washington Nunes foi demitido do cargo de técnico. Só que, quando Manoel reassumiu o comando na Confederação em março deste ano, ele demitiu o espanhol Daniel Gordo, que ficou como técnico do time por menos de seis meses, e recontratou Washington. Agora, com Ricardo novamente no cargo, ele demitiu Washington de novo, mesmo sem o técnico ter feito uma única série de treinos com o time. O novo comandante é Marcos Tatá.

Por Marcel Merguizo 
GE São Paulo

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