Goleiro do Treze fala sobre confusão com a PM de Manaus: “tomei uma cacetada no peito”

 
Foto: Ismael Monteiro/Manaus FC
O goleiro Andrey fez sua estreia pelo Treze na última segunda-feira (14), no empate fora de casa com o Manaus, substituindo Jeferson e Paulo Wanzeler, que vinham sendo titulares, mas sequer viajaram com a delegação para a partida.
A participação do arqueiro no jogo foi abreviada porque, aos 14 do segundo tempo, sentindo muitas cãibras, o novo camisa 1 alvinegro precisou ser substituído. Na tarde desta quarta-feira (16), Andrey explicou a situação.
Minha última partida tinha sido há exatamente seis meses e sete dias. Senti muito o desgaste físico porque também tive pouco tempo de preparação, tudo teve que ser um pouco corrido. A parte técnica achei que consegui desempenhar muito bem. Tenho mais alguns dias para trabalhar a parte física para estar pronto para enfrentar o Jacuipense – explicou.
Outro motivo do goleiro ter sido um dos personagens principais do jogo foi por conta da confusão ocorrida após o gol de empate do time amazonense. Cercada pelos jogadores, a arbitragem comandada por Ilbert Estevam da Silva chamou a Polícia Militar do Amazonas, que agiu de maneira totalmente desproporcional.
Sem haver agressão ou menção a disso pelos jogadores trezeanos, o policiamento chegou usando violência contra o Andrey sem nenhuma necessidade. A reação natural do arqueiro gerou o uso de spray de pimenta em outros atletas alvinegros e a confusão, restrita a reclamação esportiva, ficou generalizada devido a ação desastrada dos militares, como mostra o vídeo publicado pelo jornalista Pedro Alves, do GloboEsporte.com/pb no Twuitter, para assistir o vídeo CLIQUE AQUI.
Apesar do uso da força ser apenas contra si no meio da confusão, o de pele mais preta entre os que pleiteava marcação de irregularidade para a equipe de árbitros, Andrey não acha ter sido vítima de racismo. Ao detalhar toda situação e reafirmar o que mostram as imagens, que apenas reagiu a covarde ação policial, ele chega a pedir desculpas pelo revide e lamentar toda situação.
– Os policiais se precipitaram. Não havia necessidade de tratar a gente daquela forma. Estávamos fazendo cobrança normal, de jogo, coisas do futebol. Em nenhum momento quis crescer durante o árbitro, estava sendo de forma pacífica. No calor do jogo, claro que não tem como ficar rindo para ninguém. E, de repente, fui surpreendido com um cassetete, tomei uma cacetada no peito, e um dos PMs me deu uma pancada com um escudo. No calor do jogo, minha atitude não foi correta, mas foi instintivo, foi uma reação que não indico a ninguém. Dentro de campo, a autoridade da partida é o árbitro, depois os PMs, mas eles devem ser usados apenas quando as coisas fogem do controle. Foi lamentável a postura deles. Peço desculpas por minha reação, foi no calor do jogo, não vai se repetir. Em nenhum momento me ofenderam verbalmente ou foram racistas, só se precipitaram da forma que trataram a gente. Não havia necessidade do uso de spray de pimenta, a menos de dois metros de distância, causou muita ardência. Não se trata nem um bicho desta forma. Sou pai de família, tenho três filhos. Perdi meu pai novo, ele nunca colocou a mão em mim, me ensinou o que é o certo e o que é errado. E com certeza uma das coisas certas não era apanhar de polícia. Espero que isso não se repita com nenhum time de futebol. Nenhum ser humano merece passar por isso – lamentou.
De acordo com a Anistia Internacional, a maioria das pessoas mortas por policiais são jovens e negros. No Rio de Janeiro, 99,5% das pessoas assassinadas por policiais entre 2010 e 2013 eram homens, 80% negros e 75% tinham idades entre 15 e 29 anos, e grande parte dos autores dos disparos não foram punidos. Além disso, a população carcerária no Brasil é composta em mais de 61% por negros, mais do que a média da população que é da raça, cerca de 55%. Por fim, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no ano de 2018, o rendimento médio mensal da população branca era de R$ 2.796, enquanto que para a população negra era de R$ 1.608.
Voltando para o ocorrido na Arena da Amazônia, o juiz da partida relatou em súmula que, de acordo com o chefe da PM, Andrey agrediu primeiro e, por isso, ele será denunciado ao STJD e pode pegar um gancho na sequência da competição. Ainda de acordo com Ilbert, mesmo com imagens mostrando os dois times pedindo o reinício do jogo após o apito final, a decisão de encerrar a partida foi devido ao pedido do capitão do Galo, Breno Calixto que, ainda segundo o com o juiz, afirmou que não continuaria em campo pois 70% dos jogadores alvinegros foram atingidos por spray de pimenta. Confira a súmula completa.
No sábado (19), o Treze enfrenta o Jacuipense-BA, no estádio Amigão, em Campina Grande, às 17h, pela sétima rodada do Grupo A da Série C. O time paraibano é o nono colocado da chave, com 2 pontos, e segue em busca de sua primeira vitória no torneio.

Equipe @Vozdatorcida
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