Médico em linha de frente contra a Covid-19 avalia volta do futebol no Brasil: "Atitude irresponsável"

João Rodolfo é médico e trabalha na linha de frente do combate à Covid-19 — Foto: Acervo pessoal / João Rodolfo
A acelerada crescente dos casos do novo coronavírus no Brasil acontece no momento em que a impaciência toma conta dos dirigentes dos clubes de futebol. E, enquanto algumas equipes retomam os treinamentos, alguns representantes da saúde pregam que isso é perigoso e prejudicial para o controle do avanço da doença. Um deles é o médico João Rodolfo Moura, de João Pessoa, que está atuando na linha de frente nesse período complicadíssimo vivido em solo brasileiro. Para ele, retomar o futebol neste momento é uma atitude irresponsável e não deveria estar em pauta no cenário atual.
Segundo João Rodolfo, o Brasil está se aproximando do período de pico, por isso os cuidados precisam ser prioridade para evitar um maior contágio, que pode resultar no colapso no sistema de saúde pelo país. De acordo com o último balanço do Ministério da Saúde, publicado nessa segunda-feira, o país já totaliza 374.898 casos confirmados da Covid-19, com 23.473 mortes registradas.
Está cada vez pior. A curva está mais ascendente. Estamos nos aproximando do período de pico. Então, não faz sentido nenhum os clubes retomarem os treinamentos agora. Eu entendo a questão financeira, é muito complicado. Acredito que a principal receita são os patrocínios, as cotas de televisão, os jogos com as bilheterias. Eu entendo tudo isso. Mas, no momento, tomar essa atitude é até irresponsável. O cenário ainda é muito difícil – disse o médico.
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João Rodolfo Moura é médico de família e comunidade e está na linha de frente nesse período difícil. Atualmente, ele tem trabalhado nas Unidades Básicas de Saúde, recebendo diariamente pacientes que estão com suspeita da Covid-19. O profissional da saúde também atua numa central de teleatendimento da prefeitura da capital paraibana, tirando dúvidas da população sobre a doença.
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O médico reconhece que o Brasil, um país de 8.516.000 km², vai enfrentar diferentes cenários pelos estados. Ou seja, é possível que o futebol retorne antes em praças que possuem estruturas melhores. No entanto, considera precoce a volta para o atual momento.
No país, os primeiros clubes a retomarem os treinamentos foram os gaúchos Grêmio e Internacional, ambos com o aval das autoridades do Rio Grande do Sul e também de Porto Alegre. Em Minas Gerais, o Atlético-MG também reiniciou os trabalhos. O clube alvinegro trabalha em Vespasiano, na Cidade do Galo, fora da capital mineira.
Também existem exemplos em Santa Catarina, com a dupla Avaí e Figueirense, e também no Paraná, onde o Coritiba é mais um que retomou os trabalhos.
Contudo, o caso mais emblemático é o do Flamengo, que retomou os treinamentos na semana passada. O campeão da América do Sul e do Brasil está trabalhando no Ninho do Urubu, mesmo sem uma liberação do Governo do Estado. O Rubro-Negro considera que não está descumprindo regras, mas, apesar disso, o secretário estadual de Saúde, Fernando Ferry, afirma que as equipes devem esperar para retomar os treinos.
Exemplo da Alemanha
Há pouco mais de uma semana, o Campeonato Alemão voltou a ser disputado. Estão acontecendo jogos com portões fechados, com diversos protocolos sendo colocados em prática para que a bola role com o mínimo de risco. No entanto, em diversos casos, houve quebra das medidas de segurança impostas pela organização, como gols sendo comemorados com abraços e beijos e jogador cuspindo no gramado.
João Rodolfo considera que os protocolos de segurança nem sempre são eficazes, já que o futebol é um esporte de contato. Além disso, ele acredita que não dá para comparar o Brasil com a Alemanha no combate ao novo coronavírus. Mesmo assim, o médico afirma que em qualquer que seja o país os casos podem aumentar com a retomada do futebol.
A gente viu na prática no futebol alemão como vai ser a retomada. Mas sempre vai existir um risco, porque futebol é um esporte de contato, não tem como fugir disso. O contato tem sido menor do que era, todos de máscara no banco de reservas, sem torcedor na arquibancada. Mas sempre vai existir esse risco para os jogadores e para os seus familiares. O que facilita por lá é que o pico já existiu. Porém, nos próximos 15 dias, vamos ver novos casos por lá, é natural. E isso acontecendo pode ser que o negócio aperte. Se isso acontecer, vão ter que repensar uma nova pausa no futebol – avalia o médico brasileiro.
Enquanto isso, o Brasil vai enfrentando um dos momentos mais delicados de sua história. Entre os dias 9 e 21 de maio, por exemplo, o país teve um aumento de quase 10 mil mortes pela Covid-19. E também existem os casos confirmados, que seguem aumentando, o que vai gerando um aumento considerável no número de leitos ocupados. A situação é grave!

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