Coronavírus, salários e incertezas: saiba a situação dos clubes acerca da continuação do Paraibano 2020

Foto: Daniel Lins / Campinense
A pandemia do novo coronavírus, além de temor pela questão de saúde, tem trazido incertezas ao meio esportivo. No futebol paraibano, por exemplo, o campeonato estadual parou desde o dia 18 de março, já na reta final da primeira fase. Sem tempo determinado para retornar às disputas, os clubes vivem incógnitas diárias sobre como manterem os seus elencos disponíveis para a continuação da disputa, já que, sem receita, o fluxo de pagamento dos salários dos atletas passa a se tornar um problema muitas vezes imprevisível.
Ao longo da última semana, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) abriu o bolso e disponibilizou um auxílio financeiro de R$ 19 milhões para ajudar equipes de Séries C e D - divisões que enquadram quatro clubes paraibano (Treze, Botafogo-PB, Atlético de Cajazeiras e Campinense) -, assim como para equipes da elite e da divisão de acesso do Brasileirão Feminino, onde o Auto Esporte é único paraibano.
Entre as muitas dúvidas sobre o futuro, o GloboEsporte.com fez um breve balanço sobre a situação de cada clube disputante da edição de 2020 do Campeonato Paraibano. Vale lembrar que a data de encerramento da competição estava prevista para o próximo dia 26.
ATLÉTICO DE CAJAZEIRAS
Alysson Lira, diretor de futebol do Trovão Azul, afirmou que, com o valor recebido pela CBF, o planejamento da Série D segue mais vivo do que nunca. No entanto, o clube aguarda uma resposta sobre a prorrogação ou não da data de início da Série D do Brasileiro. Caso o início da disputa seja postergado, a direção do clube não descarta algumas dispensas para diminuir o valor da folha salarial atleticana.
BOTAFOGO-PB
De todos os clubes paraibanos, o Belo foi o único que decretou férias aos seus atletas. Além disso, o clube também consentiu com os jogadores a redução de 25% no salário de cada um. Jogadores com contrato na reta final de seu curso estão no radar da diretoria. Caso haja necessidade, o Alvinegro da Estrela Vermelha vai optar por não estender os seus vínculos. São os casos do meia e lateral-esquerdo Enercino e dos laterais-direitos Israel e Neilson.
CSP
“Estou tendo que bancar, né? Quando o CSP não tem receita (externa), alguém que tem colocar. E eu estou colocando”. As palavras da boca de Josivaldo Alves - que é o treinador e presidente do Conselho Deliberativo do clube - traduzem um pouco do cenário do Tigre em meio a essa pausa do futebol. O homem forte do CSP ainda lamentou a falta de apoio do Governo da Paraíba e da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) e disse que, quanto ao dinheiro que ele tem investido para o pagamento dos vencimentos, “existe um limite”.
CAMPINENSE
A situação da Raposa foi mais acalentada após o recebimento do auxílio da CBF. Com muitas incertezas, o valor acrescentado nos cofres rubro-negros chegam para dar mais tranquilidade frente às despesas que o clube precisa cumprir diante dessa pausa no calendário. Com os jogadores liberados para ficarem em casa, o prazo de retorno expirou nessa sexta-feira. Ainda sem um comunicado oficial, a assessoria de comunicação informou que uma reunião deve acontecer na próxima segunda ou terça-feira para definir os rumos do clube. De acordo com um atleta do clube que não quis se identificar, o Campinense deve 85% da folha de fevereiro e os vencimentos referentes a março.
NACIONAL DE PATOS
Sem previsão de retorno, o Nacional de Patos se viu de mãos atadas e resolveu dispensar todos os jogadores e a comissão técnica. Caso o torneio seja retomado, o clube vai precisar de extrema urgência para montar um novo plantel em busca da continuidade na disputa estadual. O clube estuda voltar ao torneio com atletas das categorias de base.
PERILIMA
Jailton Oliveira, presidente da Águia, já adiantou: caso o Campeonato Paraibano prossiga, os dois jogos restantes da equipe terão os garotos das categorias de base do clube em campo. Sem recursos suficientes para manter o elenco para o decorrer da competição. Atletas como o goleiro Conrado, o zagueiro Lucas Bahia e o polivalente Birungueta, donos dos salários mais elevados, já foram, inclusive, dispensados.
SÃO PAULO CRYSTAL
Com os atletas em casa e recebendo programação de treinos físicos, o Tricolor de Cruz do Espírito Santo segue aguardando as definições para que medidas mais concretas sejam pensadas. De acordo com apuração do GloboEsporte.com, o clube vem negociando rescisões com alguns atletas do elenco.
SOUSA
Durante a semana, Aldeone Abrantes, presidente do clube, se mostrou preocupado com o futuro dos clubes do interior. Conforme o mandatário do Dinossauro, "a CBF só olhou para alguns times". A curto prazo, o representante sousense espera que os patrocinadores cumpram com seus acordos. Diante de tantas dúvidas, parece ser a via mais prática para que o clube alviverde consiga cumprir com os seus vencimentos.
- Só vamos nos posicionarmos após o dia 15 de abril. A parte financeira se equilibra quando os patrocinadores adimplirem com o clube - disse.
SPORT LAGOA SECA
O Carneiro foi o primeiro clube que declarou que não teria mais como manter o elenco para o prosseguimento da competição, após a pandemia. Com o clube já rebaixado para a 2ª divisão do estadual, fica uma lacuna aberta acerca da continuidade do clube nos dois últimos jogos. Arthur Ferreira, que é o diretor executivo do clube, contou que ainda não existe uma posição em caso de um retorno das partidas do estadual. Existe a possibilidade haver uma mescla entre os remanescentes do time profissional somado aos jogadores das categorias de base. Alguns atletas já tiveram os seus contratos finalizados, enquanto outros se encerram no fim de abril.
TREZE
Com calendário a ser pensado também para o segundo semestre, a ajuda da CBF, de acordo com o presidente Walter Júnior, "chegou em uma hora muito boa". Sem previsão para receitas futuras, o Treze liberou os seus atletas e deve, com essa quantia, começar a sanar os pagamentos que estiverem pendentes dentro desse período.
Além dos valores destinados aos clubes, a Federação Paraibana de Futebol (FPF) também foi contemplada com R$ 120 mil pela entidade máxima do futebol brasileiro. A presidente Michelle Ramalho, inclusive, se comprometeu em dividir R$ 100 mil entre os clubes da elite estadual.
Sendo assim, os clubes da Série C - o Botafogo-PB e o Treze - embolsaram R$ 200 mil, enquanto os da Série D - o Campinense e o Atlético de Cajazeiras - receberam R$ 150 mil. O Auto Esporte, representante paraibano no Brasileirão Feminino Série A2, por sua vez, faturou R$ 50 mil.

Por GloboEsporte.com 
João Pessoa
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