Coluna de Eduardo Araújo: COVID-19

O mundo parou. De maneira veloz os efeitos do novo coronavírus foram se alastrando por toda a face da Terra até chegar ao Brasil, de certa forma, tardiamente, quatro meses após o epicentro do surto na China.
A pandemia global desaguou em efeito cascata sobre os diversos segmentos da sociedade até chegar ao futebol, tema específico desta coluna semanal.
Os campeonatos pelo mundo afora foram sendo suspensos um a um até os nacionais, regionais e estaduais em nosso país serem paralisados no intervalo de uma semana entre o primeiro e o último.
Assim como a pandemia invadiu nosso mundo de maneira célere, as decisões a serem tomadas pela Confederação Brasileira de Futebol, Federações Estaduais e clubes também tiveram que ser rápidas, como forma de mitigar a expansão do contágio entre os participes do mundo futebolístico: dirigentes, comissões técnicas, atletas, árbitros, funcionários, imprensa, torcedores, fornecedores, entre outros.
No primeiro momento tentou-se a realização de partidas com portões fechados, limitando o número de participantes do evento. Entretanto, a medida se tornou inócua em apenas uma semana com as decisões governamentais de suspender a realização de eventos públicos e privados, obrigando a paralisação por tempo indeterminado dos campeonatos.
Desta feita, podem ser divididos os interesses dos prejudicados com a paralisação de diversas formas. Porém, faremos a partir de uma separação básica: times com calendário anual e clubes que apenas disputam competições estaduais, ou seja, finalizariam suas atividades em Abril.
O calendário brasileiro sempre foi motivo de críticas, com elevado número de partidas para alguns clubes (o que é prejudicial) e, d’outra banda, ínfima quantidade para a maioria que encerra suas atividades profissionais ainda no primeiro semestre. A situação atual colocou holofote ainda maior sobre a questão sempre debatida e nunca solucionada (melhorada com a ampliação da primeira fase da Série D).
Assim temos um problema grave de fluxo de caixa para clubes com calendário anual, em razão da perda significativa de frutos diretos e indiretos da torcida, tais como bilheteria, sócio torcedor, venda de camisas e outros produtos licenciados, além, por óbvio, patrocinadores.
Quanto aos clubes estaduais, a falta de calendário posterior cria uma celeuma ainda mais grave: o que fazer com seu elenco? Realizar através de comum acordo o encerramento do contrato? Negociar uma renovação com cláusula de redução salarial? Pagar o tempo restante do contrato e não renova-los? 
Até agora existem diversas perguntas e pouquíssimas respostas para o desafio social que estamos vivendo, inclusive no futebol. A CBF, as Federações Estaduais e os clubes, em conjunto com atletas e demais integrantes do esporte bretão, terão de fazer uma força-tarefa e, com muita cautela, boa-fé e paciência, encontrar um caminho a seguir.
Nos últimos dias acompanhei diversos debates digitais sobre o assunto, inclusive da CBF Academy, assim como tive acesso a alguns estudos e propostas levantadas por gestores dos mais diversos âmbitos que podem ser utilizados no futebol. Traremos essas informações na coluna da próxima semana e assim por diante, afinal os efeitos e o combate ao COVID-19 serão o tema fulcral da nossa sociedade para as próximas semanas e meses. 

Eduardo Araújo
Advogado
eduardomarceloaraujo@hotmail.com

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