Coluna de Eduardo Araújo: COVID-19 III

Nas últimas duas semanas iniciamos uma série de colunas acerca da influência da pandemia de COVID-19 no mundo desportivo, especialmente no futebol. Falamos, respectivamente, de reveses gerados pelo surto do vírus e de institutos da Economia para identificar premissas e encontrar soluções para a crise.
Esta semana trataremos especificamente das adversidades causados no futebol paraibano e questões que deverão ser enfrentadas pela federação, clubes e desportistas.
De certo, analisar e comparar a linha do tempo e os efeitos da pandemia em outros países, dado o atraso temporal do início da crise aqui no Brasil, trará perspectivas tanto para as complicações como para soluções. Entretanto, a aplicabilidade terá maior influência sobre o calendário nacional, ou seja, para equipes que disputarão as Séries A a D do Brasileirão.
Para o futebol internacional, as competições regionais são disputadas por clubes amadores ou semiprofissionais, sendo completamente diferentes dos nossos estaduais concorridos por times de diversos escalões, algumas sem calendário para o segundo semestre.
Assim, há uma divisão óbvia nos campeonatos estaduais: clubes que tem calendário anual e os que encerram suas atividades em meados de Abril. Na Paraíba temos no primeiro grupo Botafogo, Treze, Campinense e Atlético e no segundo Sousa, Nacional, São Paulo Crystal, Perilima, Sport e CSP.
Essa divisão é premissa basilar para o enfretamento dos impasses que serão gerados pelas alternativas que são propostas para o futuro do Paraibano 2020: cancelá-lo, encerrá-lo com as classificações atuais e, por fim, o retorno para finalização.
A primeira hipótese geraria um problema relacionado ao número de equipes que disputariam a competição em 2021, dado o acesso da segunda divisão (ou não, ante a possibilidade de não ser possível o retorno das atividades este ano) e a classificação para as competições nacionais (Série D e Copa do Brasil) e regional (Nordeste).
No que concerne a possibilidade de encerramento com as classificações atuais provocaria um claro conflito legal e político, levando a competição para as hostes judiciais, posto que clubes com chance de classificação para a próxima fase e, portanto, para as competições nacionais do ano vindouro não aceitariam tal situação, bem como o rebaixamento.
No mundo ideal, teríamos o retorno do Paraibano 2020 para finalizar a primeira fase com as duas rodadas que restam e a disputa da fase final, como previamente disposto no regulamento. Porém aqui residem diversos temas a serem enfrentados, por exemplo, quanto a programação de calendário, logística e financeira.
Em primeiro não se tem qualquer previsão acerca da possibilidade de retorno das atividades, além do choque com as datas de competições nacionais. Ao depois, teríamos os obstáculos originados da necessidade de retorno de atletas, renovação e prazos contratuais, nova pré-temporada, alojamento, entre outros. E, por fim, o tão falado desajuste financeiro que a volta trará para todas as equipes, primordialmente aquelas do segundo grupo, sem calendário, que farão contratos curtos para pouquíssimas partidas, encerrando suas atividades logo depois.
O momento é difícil e pegou todos os desportistas de surpresa, CBF, FPF, clubes, funcionários, atletas, torcedores e imprensa. Todavia, o consenso e a união deverão ser almejados por todos para encontrar um meio termo possível para que possamos sair mais fortes dessa crise que abala não só nosso futebol, mas o mundo.

Eduardo Araújo
Advogado
eduardomarceloaraujo@hotmail.com
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