Coluna de Eduardo Araújo: COVID-19 II

O que estudos de macro e microeconomia tem a ver com futebol? Em termos básicos, macroeconomia utiliza uma referência ampliada, em escala regional ou global, ou seja, grandes cenários, enquanto que a microeconomia tem como preocupação conjunturas individualizadas, como, por exemplo, estudo das escolhas do consumidor.
Neste sentido, estudar os efeitos do novo coronavírus no mercado global e nacional cria perspectiva para enfrentarmos problemas individuais e nos anteciparmos a questões que poderão chegar em nossos clubes.
Na estreia do CBF Academy Talks no último dia 30 de março, o Professor Doutor em Administração Marcio Moran falou sobre planejamento estratégico nos clubes de futebol em tempos de grandes incertezas, trazendo à tona um dado relevante e pouco utilizado na gestão dos clubes, a análise de cenários de mercado na hora de tomar decisões, questionando o foco absoluto no departamento de futebol como grande causador dos problemas financeiros dos clubes brasileiros.
Em sua palestra virtual, elencou diversos institutos utilizados na economia e na administração para prever conjunturas possíveis, levantar problemas e possíveis soluções de maneira antecipada, sugerindo uma falta de precaução dos clubes e federações, porquanto os efeitos do coronavírus foram se alastrando de maneira veloz por todo o mundo, mas demoraram quatro meses para chegar ao Brasil, tempo suficiente para prever a situação e antecipar soluções de curto, médio e longo prazo.
Por sua vez, citou algumas questões importantes para o futuro que deveriam ser avaliadas anteriormente, mas que a situação atual pode oportunizar, através de uma política de profissionalização da gestão amplamente debatida em nossas colunas.
Inicialmente, falou sobre o estudo de política cambial, prevendo o melhor momento para negociação de atletas diante da diferença de câmbio entre moedas, principalmente dólar e euro no mercado global. Depois citou a necessidade de contratação de profissionais remunerados em cada departamento (marketing, comercial, financeiro, administrativo, recursos humanos) dada a influência direta no resultado geral do clube. E, por fim, ficou nítida a necessidade de contratação de uma profissional para gerir e conectar todos os setores, na figura de um Executivo/CEO.
Na ponta da pirâmide do futebol brasileiro atual, podemos tomar como exemplo de boa gestão profissional o Flamengo, que no fim de Março divulgou um teste de estresse acerca dos efeitos do COVID-19.
O teste de estresse é uma ferramenta muito utilizada no âmbito empresarial, notadamente por bancos, para gestão de risco, determinando fontes possíveis de problemas em cenários de mudanças severas na macroeconomia e a resiliência da instituição objeto do estudo.
No caso específico, o Flamengo divulgou um cenário prevendo a paralisação por cerca de três meses e uma preocupação com a perda de receitas relacionadas diretamente ao matchday (bilheteria, venda de camarotes, venda de produtos licenciados, etc) e diminuição daquelas relacionadas a venda de atletas, patrocinadores e sócios, dado o impacto financeiro sobre grandes empresas, clubes e emprego.
Assim, prevendo um cenário de redução drástica nas receitas, a única solução possível para permitir a continuidade das atividades de maneira salutar é a diminuição das despesas através da renegociação de contratos com atletas, integrantes de comissão técnica, fornecedores e demais credores dos clubes ou o diferimento (postergação) de débitos, tal como realizado o PROFUT.

Eduardo Araújo
Advogado
eduardomarceloaraujo@hotmail.com
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1 comentários:

  1. Show..Falou tudo. Espero que de agira adiante...tudo possa ser diferente e com mais responsabidade

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