Coluna de Eduardo Araújo: Bem vinda, tecnologia!

A evolução digital atropela preconceitos e adentra forçosamente em cada um dos aspectos de nossa vida e não poderia deixar de ser diferente com os esportes. A polêmica sobre o uso da tecnologia nos esportes, notadamente no futebol, perdura durante bastante tempo, tendo como pano de fundo o medo da inovação e a paixão pelo clássico.
Há décadas que outros esportes se utilizam da tecnologia, com os chamados desafios, auxiliando os árbitros na tomada de decisão, evitando que o erro humano altere o resultado de meses de trabalho das equipes.
Um dos sistemas amplamente utilizados no tênis, rúgbi, sinuca, vôlei, críquete, entre outros é o Hawk-Eye, em tradução literal Olhos de Falcão, mais conhecido como tira-teima, sendo um software que capta a trajetória dos objetos (bola) e dos atletas, por meio da utilização de câmeras de alta tecnologia recriando em 3D de alta precisão os lances para posterior verificação.
A tecnologia é utilizada no tênis desde 2005, tornando-o um dos esportes com menor incidência de erros de arbitragem alterando a dinâmica do jogo, servindo de exemplo para diversos outros que buscam a perfeição das decisões, valorizando os atributos da disputa e não a influência externa humana.
No futebol, apenas em 2012 a FIFA autorizou a implantação do sistema, mas a polêmica não parou por aí, com declarações contrárias de diversos nomes de peso do esporte, como Platini, presidente da UEFA no período, afirmando apenas acreditar na visão humana. A declaração completa do ídolo francês põe fim a questão: "Eu só acredito na visão humana e não na tecnologia. Pode ser que já tenha ficado velho".
Após a liberação da FIFA e as declarações contrárias de Platini, a cúpula deixou claro que a opinião era isolada, sendo quase unanimidade no Órgão a chegada sem volta dos sistemas tecnológicos no esporte bretão.
Foi justamente no Campeonato Inglês que o sistema foi implantado pela primeira vez, na temporada 2013/2014, auxiliando o árbitro na tomada de decisões, pela primeira vez, em dúvida acerca da entrada ou não da bola dentro do gol.
Mais recentemente, em 14 de dezembro de 2016, em partida da semifinal vencida por 3 a 0 pelo Kashima Antlers (JAP) sobre o Atlético Nacional (COL) a discussão voltou à tona, com a marcação de um pênalti com o auxílio de vídeo, porém se olvidando em examinar a existência de impedimento no lance o que invalidaria a falta dentro da área.
O sistema evoluiu e agora nós temos o chamado VAR em aplicação no futebol brasileiro, o qual tem criado diversas novas polêmicas com erros gritantes, apesar do instrumento que com o tempo se aperfeiçoará e trará mais segurança às partidas.
Erros acontecem e permanecerão acontecendo, mas perdurar no passado é ficar obsoleto. O uso da tecnologia veio para ficar e irá atropelar os que sejam contrários, não sendo plausível manter o percentual de erros tão comum, com a existência de sistemas capaz de reduzi-los. Seja bem vinda, tecnologia.

Eduardo Araújo
Advogado
eduardomarceloaraujo@hotmail.com
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