Causos & Lendas do Nosso Futebol: Você se lembra do meia Mineiro?

Ele nasceu no dia dez de junho do ano de 1945, na distante cidade mineira de Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais. Os seus pais o batizaram com o nome de Miguel Maurício de Almeida, porém, foi com o apelido de “Mineiro” que ele ficou popularmente conhecido nos meios desportivos paraibanos.
Para a alegria do torcedor paraibano, a família de Mineiro veio morar em João Pessoa, cidade que o acolheu de braços abertos e, por volta de 1963, ele já despontava como um excelente meia esquerda da AAP - Associação Atlética Portuguesa, do bairro de Cruz das Armas, equipe que formou jogadores da qualidade de Chicletes, Paulo Foba, Chico Matemático e Leonecy.
Quando o seu futebol já havia ultrapassado as dimensões da aguerrida Portuguesa, Mineiro foi contratado para jogar profissionalmente no Esporte Clube União, equipe já extinta e que disputou vários campeonatos estaduais, tendo a sua fase áurea na década de 60, quando o abnegado Sr. Manoel Costeira assumiu a sua presidência.
Mineiro era um jogador com excelente porte físico, extraordinário domínio de bola, visão privilegiada do campo e com uma certa liderança dentro das quatro linhas, orientando os companheiros de equipe.
Na equipe rubro-negra do Esporte Clube União, o nosso homenageado jogou de 1963 até 1967, saiu e depois voltou em 1969. Nesse período ele participou da melhor fase do saudoso clube fundado e administrado no centenário jornal A União.
Apesar dos irregulares gramados da época, das desconfortáveis chuteiras de couro pregadas com brochas, Mineiro era aquele jogador clássico, guardando as proporções ele era comparado ao Divino Ademir da Guia, então maestro da famosa academia palmeirense.
Mineiro se juntou a um grupo de atletas do nível de Valdecir Pereira, Valter Moreira, Jú, Zezinho Baliza, Freire, Naná, Biu Ferrete, Vicente, Paulo Foba, Piau e o grande Delgado. Essa geração treinava no antigo campo do ABC, em Jaguaribe, onde hoje funciona uma feira livre, e encantava os torcedores jogando na Graça, no Olímpico, no Presidente Vargas, no Plínio Lemos e no José Cavalcante, antigos palcos do nosso rico futebol.
Ele teve o prazer de ser treinado por vários técnicos paraibanos, porém lembra com saudade e gratidão de Antônio Américo de Lima, que o dirigiu com muita competência e profissionalismo, mostrando que tinha uma visão diferenciada para a época.
Mineiro ainda vestiu as camisas alvinegra do Santos Tereré Futebol Clube, e alvirrubra do Auto Esporte Clube, com a mesma dedicação e zelo da época do Esporte Clube União. Em 1973 ele resolveu pendurar as suas famosas e disputadas chuteiras.
Hoje, aposentado, ele lembra com bastante saudade daquela época em que não se ganhava dinheiro e não se tinha estrutura, mas se jogava pra frente, bonito e com bastante intimidade com a bola.
Para nós torcedores, cronistas e desportistas, ficou a certeza de que Miguel Maurício de Almeida, o popular meia Mineiro, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.

Serpa Di Lorenzo
Historiador, Membro da ACEP e APBCE
falserpa@oi.com.br
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