Causos & Lendas do Nosso Futebol: Você se Lembra do Volante Vavá?

Ele nasceu na prazerosa cidade de Campina Grande - celeiro de grandes jogadores – em 01 de novembro de 1948, sendo batizado por seus pais com o nome de Genival Inácio dos Santos, mas foi com o apelido de “Vavá” que ele ficou popularmente conhecido.  Logo cedo começou a bater pelada nos campos de bairros e por se destacar passou a disputar o campeonato amador daquela urbe.
Não demorou muito tempo para os olheiros levarem “Vavá” para fazer um teste no Campinense Clube, na época sediado em José Pinheiro.  O jovem e aplicado volante foi de imediato aprovado e incorporado ao elenco rubro-negro, que no início da década de setenta montou uma equipe caseira, competitiva, vencedora e que daria muitas alegrias ao torcedores aristocráticos.
Era uma época em que não se ganhava dinheiro, a chuteira era de couro com travas pregadas com broxas, o uniforme não tinha propagandas, a bola era pesada e de couro, os gramados eram irregulares e a iluminação era péssima. Essas adversidades e dificuldades eram sobrepostas pelo futebol dos atletas.
Sim, caro leitor, os nossos jogadores do passado eram verdadeiros artistas, bailarinos que entravam em campo e nos proporcionavam um verdadeiro espetáculo de futebol. Havia uma forte cumplicidade entre eles e a bola, uma intimidade ao ponto de nós, torcedores, acharmos que jogar futebol fosse uma coisa fácil e simplória.
E o nosso homenageado foi um privilegiado em fazer parte de uma geração que tinha Zé Santos e Zé Lima fora das quatro linhas, e dentro do gramado companheiros como Ailton, Deca, Olinto, Toinho, Agra, Macau, Ivan Lopes. Dão, Valnir, Pedrinho Cangula, Dinga, Edgar e tantos outros que ajudaram nas conquistas dos títulos estaduais de 1971, 72, 73 e 74 e o honroso segundo lugar na então copa nordeste, quando foi derrotado nas penalidades pelo Sampaio Correia, em jogo realizado em São Luis do Maranhão.
Depois de participar dessas seguidas e merecidas conquistas com precisos desarmes, condução da bola com maestria e sendo o elo entre a defesa e o ataque, Vavá foi carinhosamente chamado pela imprensa esportiva de “o carregador de piano”, expressão que significa, segundo o Aurélio, “alguém que faz o trabalho mais difícil, árduo, mais pesado e fundamental, porém de pouco reconhecimento”.
Vavá foi contratado pelo Treze Futebol Clube para reforçar o alvinegro em um campeonato brasileiro, depois foi jogar no Sampaio Correia, equipe maranhense. Em 1977 a saudade bateu forte e ele retornou para a Rainha da Borborema para novamente vestir a camisa do Campinense Clube.
Em 1978 Vavá foi reforçar a equipe da Associação Cultural Esporte Clube Baraúnas, da cidade de Mossoró, que montou um forte esquadrão para enfrentar os grandes times do ABC e América.
No ano seguinte ele veio jogar na cidade de João Pessoa, precisamente na equipe do Auto Esporte Clube, realizando excelentes partidas com a camisa alvirrubra. Finalmente, o nosso homenageado foi transferido para o Santa Cruz Recreativo Esporte Clube, da cidade de Santa Rita, onde jogou por três temporadas e pendurou as suas famosas chuteiras.
Um fato marcante na carreira de “Vavá” foi ter participado do jogo inaugural do estádio Governador Ernani Sátiro, o Amigão, em 1975, quando o Campinense Clube enfrentou o Botafogo de Futebol e Regatas e empatou, sendo ele na oportunidade escolhido como o melhor jogador em campo.
Para nós torcedores, cronistas e desportistas, ficou a certeza de que Genival Inácio dos Santos, o popular “Vavá”, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.

Serpa Di Lorenzo
Historiador, Membro da ACEP e APBCE
falserpa@oi.com.br
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