Coluna de Eduardo Araújo: Quanto Custa?

Reiteradas vezes sou indagado por curiosos, amigos e desportistas sobre quanto custa manter um clube profissional. Alguns buscam informações para complementar seus argumentos na mesa de bar e outros para projetar a entrada no mundo da bola.
Respondo sempre com outra pergunta: só para dizer que está fazendo futebol, para cumprir o mínimo que a legislação exige ou para fazer corretamente?
Essa é a pergunta a ser respondida pelos que tem interesse em participar do complexo e caro futebol profissional, principalmente em um estado sem grande apelo para o esporte, dificultando sobremaneira a possibilidade de angariar patrocinadores e renda através da presença de público nos estádios, venda de produtos, entre outras formas de faturamento tratadas em coluna anterior.
Como fazer o ideal depende de uma série de fatores e fazer por fazer não faz parte da minha política, irei direcionar os caros leitores dessa coluna sobre custos mínimos exigidos pela legislação trabalhista, tributária e desportiva para a disputa profissional de futebol.
Um clube de futebol para entrar em competições profissionais precisa, inicialmente, de alojamento, alimentação, um corpo de funcionários, comissão técnica e atletas, além dos custos variáveis de transporte, taxas, etc.
Pois bem, levando-se em consideração o salário mínimo e a legislação trabalhista, o custo mensal unitário por funcionário/comissão/atleta, com seus encargos, gira em torno de R$ 1.400,00 (basta multiplicar pela quantidade).
É válido lembrar que a legislação desportiva exige como tempo mínimo de contrato três meses, o que obriga a multiplicação desse valor unitário por atleta por pelo menos três, bem como existem diversos outros encargos, taxas e custos variáveis sequer citados.
Para colocar um jogador em campo, o clube precisa registra-lo e publica-lo no Boletim Informativo Diário da CBF até o último dia útil anterior a partida, e isso custa caro. A transferência de um atleta de outra Federação totaliza R$ 1.710,00, enquanto para atletas já vinculados à Paraibana, R$ 210,00 (multiplicar pela quantidade de atletas).
Além disso, faz-se necessário o pagamento da taxa da Federação das Associações de Atletas Profissionais, um exame de eletrocardiograma de repouso e a assinatura do médico atestando o atendimento das condições exigidas no contrato.
Na Segunda Divisão do Paraibano, a taxa de administração da Federação por jogo é de R$ 2.000,00, assim como o mandante deve disponibilizar segurança, ambulância e médico, além dos encargos com INSS, entre outros. Ou seja, no mínimo uns R$ 4.000,00 por jogo em casa.
Neste diapasão, fazer futebol profissional não é brincadeira e custa deveras caro. Sem a devida organização e uma estrutura de logística e financeira, clubes sem condições insistem em causar danos à imagem já combalida de nosso futebol, com atrasos, paralisação de jogo por insuficiência de atletas, dentre outras atos nefastos, descumprindo a essência do esporte: o espírito esportivo.

Eduardo Araújo
Advogado
eduardomarceloaraujo@hotmail.com
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