Coluna de Eduardo Araújo: Dinheiro x Conquistas

Todo início de temporada os debates desportivos entre jornalistas, especialistas e torcedores gira em torno de previsão acerca das possibilidades de conquistas de cada clube, associando que a quantidade de verba disponível é diretamente proporcional à chance de êxito na temporada. Mas, dinheiro compra títulos?
Com a publicação obrigatória dos balanços dos clubes brasileiros e o efusivo incremento de direitos de transmissão e negociação de atletas, gerou-se a possibilidade de avaliação confiável da situação financeira do futebol brasileiro, bem como a sua projeção de futuro.
Inicialmente, com a divulgação dos números de 2018, verificou-se um aumento do endividamento dos principais 24 clubes da nação, chegando a incrível marca de R$ 7,3 bilhões. Entretanto, na via inversa, alguns clubes aumentaram significativamente sua capacidade de aquisição de atletas, com exemplos óbvios de Flamengo e Palmeiras.
Comparando a força financeira ao resultado obtido, a questão se confirma: sim, dinheiro traz títulos. O time mais caro de 2018 foi o Palmeiras (campeão brasileiro). Na outra ponta, América MG, Vitória, Paraná e Sport estavam entre os com menor folha salarial e foram rebaixados.
Porém, entre as pontas do campeão e rebaixados, existe um meio de tabela na Série A que clarifica como a boa gestão dos recursos e uma administração profissional pode superar (apesar da inferioridade financeira) equipes com maiores recursos. Eficiência é a palavra chave.
Para tanto, podemos destacar positivamente o trabalho de longo prazo realizado pelo Grêmio e o Athletico PR. Por outro lado, o destaque negativo fica com o Vasco, pois apesar de um dos maiores custos do país, tem brigado contra o rebaixamento nas últimas temporadas, dado os problemas de gestão do passado que insistem em causar danos evidentes a cada ano.
Na busca por resposta para o problema de eficiência de alguns clubes, a primeira premissa a ser levada em consideração deve ser a balança comercial do futebol brasileiro, com saldo positivo superior a um bilhão de reais. Porém a participação do esporte no PIB (1%) ainda está longe do ideal estimado (3%).
Assim, por óbvio, os clubes brasileiros não tem a tendência de segurar suas principais estrelas, sendo um verdadeiro balcão de negócios destinado à formação de atletas para venda como um produto e não desportistas.
A sanha por dinheiro de empresários e participes do futebol coloca em segundo plano as conquistas e todo o volume de premiações, incremento da marca, entre outros recursos associados ao êxito em uma temporada, mas que ficam para o clube e não para indivíduos.
É dizer: não são os clubes que ficam em primeiro plano, mas o negócio futebol.
É triste dizer e continuar batendo nessa tecla, mas o maior problema é nítido: o modelo associativo completamente desatualizado e amador, mantendo a corrupção e gestões deficitárias.  A solução também é clara e prática, a mudança de cultura e de modelo, buscando cada vez mais a profissionalização e a transformação dos clubes em empresas.

Eduardo Araújo
Advogado
eduardomarceloaraujo@hotmail.com
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