Causos & Lendas do Nosso Futebol: A Presença de Garrincha em Nossos Gramados-Primeira Parte

“Para Mané Garrincha, o espaço de um pequeno guardanapo era um enorme latifúndio.” (Armando Nogueira).
Foi em uma bonita e inesquecível noite de quinta-feira, precisamente do dia oito de fevereiro do longínquo ano de 1968, no estádio Presidente Getúlio Vargas, o histórico PV, na belíssima Campina Grande a Rainha da Borborema.O jogo foi uma partida amistosa, de caráter internacional envolvendo o Treze Futebol Clube e a fortíssima seleção da Romênia, equipe do leste europeu que já estava classificada para disputar a copa do mundo do México, em 1970.
Essa partida internacional por si só já era motivo para encher o estádio e ser o assunto dominante na cidade, nas praças, nos bares e restaurantes. As emissoras de rádio e os jornais da época divulgavam com ênfase e destaque aquele acontecimento histórico.
Se não bastasse tanta emoção para os paraibanos que iriam acompanhar aquele grande e inesquecível jogo, o empresário húngaro Janos Tratay, que morava em Campina Grande, intermediou e conseguiu trazer Manuel Francisco dos Santos, o mundialmente conhecido “Garrincha”, para disputar aquela partida jogando com a camisa de numero sete do tradicional Galo da Borborema.
Sim, leitor e torcida paraibana, o “Anjo das pernas tortas”, aquele que foi campeão do mundo em 58, bi-campeão em 62 e também participou da copa de 66, estaria abrilhantando ainda mais aquela inesquecível noite do futebol paraibano.
Ninguém queria saber se o maior ponteiro direito do mundo já tinha completado 34 anos de idade e não possuía mais a habilidade que encantaram gregos e troianos. Pouco importava as manchetes das revistas sociais informando as suas constantes separações conjugais com a cantora Elza Soares, ou seu declínio financeiro e conseqüentemente a contumaz ingestão de bebida alcoólica.
Ali dentro do pequeno e acanhado campo do Treze estava uma lenda que brilhou no maior estádio do mundo. Pisando no irregular gramado do PV estava um cidadão simples e humilde, porém excepcional brasileiro, considerado por muitos o maior jogador do planeta. Fazendo a ressalva que Pelé não é do nosso planeta.
Naquela noite de campo cheio, torcedores simples se misturavam com as autoridades constituídas, inúmeras fotos foram batidas nas antigas e enormes máquinas fotográficas. Todo mundo queria posar ao lado de Garrincha, e registrar aquele momento inesquecível.
O selecionado europeu entrou em campo e seus jogadores e dirigentes aproveitaram e também tiraram fotografias com aquele atleta que fazia fila de seus marcadores, e um por um deixava para trás, como se fosse um raio x  que atravessasse por dentro deles.
A então forte equipe do Treze Futebol Clube, naquela noite formada por Elias, Janca, Antonino, Leduar, M. Veiga e Nilton, Garrincha, depois Paluca, Lima, Chicletes, Pedrinho e Zé Luis, não se intimidou com o conjunto da seleção da Romênia e jogou ofensivamente, tendo nos atletas Chicletes e Zé Luis os seus destaques. A partida terminou com a vitória dos europeus por dois tentos a um, sendo o gol paraibano de autoria de Leduar.
Garrincha, que foi substituído no segundo tempo por Paluca, quando pegou na bola serviu os seus companheiros com passes precisos e milimétricos. Para ele, naquela fase de sua carreira, quem precisava correr era a bola e não ele.
Aquela noite de alegria marcou muito o torcedor paraibano, quem não compareceu ao estádio escutou pelos potentes microfones da Rádio Borborema, que narrou com riquezas de detalhes aquela página linda, que nem mesmo os cinquenta e um anos passados conseguiram deletar da nossa memória.
Serpa Di Lorenzo
Historiador, Membro da ACEP e APBCE
falserpa@oi.com.br
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