Causos & Lendas do Nosso Futebol: Você Lembra do Árbitro Jair Pereira?

Nascido na pequenina e aconchegante cidade de Caiçara, no estado da Paraíba, precisamente no dia vinte e um de março de 1946, ele foi batizado pelos seus pais como Jair Pereira Guimarães, mas popularmente ele ficou conhecido como “Diabo Louro”.  Desde criança o nosso biografado admirava e acompanhava o nosso futebol.
Em 1970, ano em que o Brasil conquistou em definitivo a taça Jules Rimet, no México, Jair Pereira ingressou nos quadros de arbitragem da Federação Paraibana de Futebol, onde passaria vinte e um anos servindo a esse esporte.
Em seu vasto e extenso currículo consta ter sido escolhido como o melhor árbitro paraibano do ano de 1973, fato repetido em 1974 pela crônica especializada da cidade de Campina Grande. Em 1979 ele voltou a ser escolhido o melhor árbitro do campeonato estadual.
De 1975 até o ano de 1984, Jair Pereira participou como juiz ou bandeirinha de todas as decisões do campeonato de profissionais de nosso estado, sempre atuando com zelo, dedicação e competência. Tal desempenho levou o nosso homenageado a ser alçado ao então seleto quadro especial de arbitragem da CBF, a Confederação Brasileira de Futebol.
O seu nome já havia ultrapassado a divisa do nosso estado, e como reconhecimento ele passou a ser escalado e a trabalhar em jogos importantes em outros estados, como Santa Catarina, Amazonas, Rio de Janeiro, Pernambuco, Sergipe e Pará.
Duas características predominavam no perfil do árbitro Jair Pereira, o seu preparo físico, que era considerado um dos melhores do país, e a disciplina que conseguia impor aos jogadores e seus em uma partida de futebol. A imprensa carinhosamente o batizou de “Diabo Louro”.
A título de exemplo de disciplina, em um jogo disputado em Aracajú, o “Diabo Louro” deu um cartão amarelo ao lateral Branco, do Fluminense e da seleção brasileira. O atleta, inconformado e se achando intocável, disse: “se o senhor me expulsar não apita mais.” Poucos minutos depois, Branco fez outra falta e recebeu o cartão vermelho de imediato. Em outra oportunidade, apitando o clássico Tuna Luso e Remo, em Belém do Pará, com o estádio lotado, “Diabo Louro” viu um maqueiro, sem autorização, correndo pelo meio do campo e não pensou duas vezes, expulsou aquele funcionário\auxiliar da partida. Tal expulsão lhe rendeu muitos elogios da crônica especializada.
Outro fato que ele se orgulha muito foi de ter apitado a primeira partida de futebol feminino, ocorrida no estádio Leonardo da Silveira, em vinte de novembro de 1971 quando uma seleção paraibana enfrentou e empatou sem gols com a seleção pernambucana. Funcionaram como seus auxiliares os bandeirinhas José Ribamar e Fernando Ângelo.
Ao completar quarenta e cinco anos de idade, por imposição da Fifa, o nosso competente e dedicado árbitro foi obrigado a emudecer o seu apito nos deixando um grande legado de vinte e um anos seguidos de arbitragem. 
Recentemente, a sua cidade natal lhe homenageou denominando o vestiário dos árbitros do estádio municipal Francisco Carneiro com o seu nome, uma forma de reconhecer e gravar para a posterioridade os feitos do filho ilustre.
Hoje, ele exerce o cargo de oficial de justiça estadual, inclusive já presidiu a associação da classe por vários anos. Conversando comigo o “Diabo Louro” recordou com saudade e emoção daquele tempo em que cruzava o país nos aviões da Varig, Vasp e Cruzeiro do Sul para apitar futebol.
Para nós torcedores, cronistas e desportistas ficou a certeza de que Jair Pereira Guimarães, o popular “Diabo Louro”, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.

Serpa Di Lorenzo
Historiador, Membro da ACEP e APBCE
falserpa@oi.com.br
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