Coluna de Eduardo Araújo: VAR

O VAR, sigla inglesa para Video Assistant Referee, sistema de revisão de jogadas iniciado na Copa do Mundo da Rússia em 2018 com o intuito de minorar o efeito nocivo dos erros de arbitragens nos placares das partidas.
Não se olvida que diversas partidas, muitas delas extremamente importantes, teriam seus resultados alterados em razão dos erros (algumas vezes humanos e outros de má-fé) dos árbitros, o que desaguaria, inclusive em alteração em conquistas de títulos, tais como a Copa do Mundo de 1986 com a famosa “Mão de Deus” de Maradona.
Entretanto, o sistema tem causado verdadeiras confusões e atrasos nas partidas, com uma demora inexplicável para solucionar casos que, em tese, deveriam ser corrigidos não por erro de interpretação, mas de clara e inequívoca falha na visualização da jogada e aplicação da regra.
A título de singela explicação, o VAR é um sistema formado por um grupo de juízes auxiliares que, a partir de uma central de vídeo com a participação de técnicos de vídeos e vários monitores, acompanham a partida para em caso de lances decisivos (impedimento, gol, pênalti, expulsão), recomendando a revisão pelo árbitro da partida.
Alguns sinais são realizados para demonstrar a utilização do sistema. Em primeiro o árbitro coloca uma das mãos sobre o ouvido indicando a consulta e, caso decida revisar no monitor às margens do gramado faz um sinal com as duas mãos desenhando um retângulo.
É dizer: a palavra final continua com o árbitro. Entretanto, ele continua tendo o auxílio dos “bandeirinhas” e agora, também dos auxiliares do vídeo.
A última terça-feira, dia 18 de junho, foi um dia histórico para o futebol brasileiro e, confesso, ainda não consegui definir, em meu juízo de valor, se para o bem ou para o mal. Foi julgado no STJD o destacado caso do VAR no jogo Palmeiras x Botafogo, no qual o time carioca pediu a anulação da partida por suposta falha de procedimento na utilização.
O julgamento findou em unanimidade na manutenção do placar de 1 a 0 para o Palmeiras, fruto de um pênalti cometido sobre Deyverson marcado após um longo período, sob recomendação do VAR. Além da demora em campo, o jogo foi parar no tapetão.
Críticas para todos os lados, alguns defendem a tese de que o sistema engessou o futebol, tornando-o mecanizado, além de causar uma verdadeira lentidão nas partidas, tornando-as sem horário definido para o fim. D’outra banda, outros comentam que a medida tende a reduzir os drásticos efeitos dos erros tão comuns no futebol.
Confesso que ainda estou em debate interno analisando argumentos contra e a favor, mas algo é certo, antes do VAR, o debate deveria ser a profissionalização da arbitragem e melhoria no treinamento e qualificação dessa categoria tão sofrida e perseguida. Ora, o argumento fulcral para afastar a pleiteada profissionalização são os custos, os quais, no caso do VAR são absurdos, demonstrando a incongruência de fundamentos.

Eduardo Araújo
Advogado
eduardomarceloaraujo@hotmail.com
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