Coluna de Eduardo Araújo: Bola Fora

Assistir partidas de futebol é prática comum na minha vida, às vezes pelo trabalho e muitas outras pelo amor ao esporte. No último domingo, dentre as várias que vi, acompanhei Santos e Vasco, findando com a vitória paulista e uma cena constrangedora ao final da transmissão.
A emissora que transmitia a partida, pela necessária interação com o público em tempos de redes sociais, colocou em votação o prêmio Craque do Jogo para eleger, em tese, o melhor atleta em campo na visão do telespectador.
Infelizmente, em razão das falhas cometidas pelo goleiro Sidão do Vasco, alguns canais influenciadores digitais, para criar polêmica e as comuns piadinhas virtuais, estimularam a votação no atleta que claramente fez uma péssima partida, desaguando, assim, em 90% dos votos.
Ao fim da partida, a repórter incumbida da constrangedora tarefa, explicou ao atleta do que se tratava e entregou o troféu a contragosto, o qual foi aceito pelo jogador, demonstrando um nível de maturidade e profissionalismo difícil de se encontrar no mundo da bola (palmas para ele).
A celeuma gerou enorme debate entre profissionais do futebol, gerando uma campanha de apoio ao goleiro Sidão e demonstrou algumas falhas no afã de interagir com o público. Ao depois, a própria rede televisiva pediu desculpas ao atleta e mudou a forma de eleição do prêmio, com o fito de evitar acontecimentos similares. Além disso, os perfis de humor que iniciaram a polêmica pediram perdão pelo equívoco.
Em sua página no Instagram, sidao12 assim pontuou a questão: “Uma trajetória com muita luta, sempre foi assim a minha vida. “Do Caos, surgem as oportunidades.” Que esse constrangimento generalizado toque cada um de nós (atletas, jornalistas, técnicos, dirigentes, agentes, torcedores..), enfim, todos aqueles que buscam e tentam fazer um futebol melhor, tendo como pilar principal o RESPEITO PROFISSIONAL”.
Outro profissional que passou por maus bocados pela zoeira sem limites das redes sociais, o goleiro Alex Muralha, que aproveitou o momento para falar da própria situação e apoiar o colega de profissão, falando, em resumo, que o limite da provocação é a humilhação pública.
Em um mundo tão preocupado com o bullying na seara infantil, a sociedade ainda insiste em não se colocar no lugar do outro e pensar, com seriedade, se gostaríamos de estar naquela situação. Todos nós que fazemos o mundo da bola precisamos entender que antes de profissionais, somos seres humanos, passíveis de falhas e dias ruins, assim como qualquer jogador de futebol, juiz, integrante de comissão técnica, dirigente.
Espero que o episódio sirva de lição não só para a rede de televisão criadora do prêmio, a qual, com certeza, esperava estimular o melhor dos atletas e a interação salutar com os telespectadores. Mas também para os torcedores que precisam enxergar no jogador, no árbitro e em todos os participes de uma partida de futebol, um ser humano passível de críticas, porém merecedor de respeito profissional.

Eduardo Araújo
Advogado
eduardomarceloaraujo@hotmail.com
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