Cruzeiro é excluído de torneio por acusação de aliciamento de jogador do América-MG

Vitor Roque foi artilheiro da última edição do Mineiro Sub-14, com oito gols (Foto: Reprodução/Instagram/vitor_roque9)
O Cruzeiro foi desconvidado da Nike Premier Cup, torneio da categoria sub-15, sob a acusação de aliciar o atacante Vitor Roque, ex-América. A informação, publicada pelo Uol, foi confirmada pelo Superesportes.
Vitor Roque tem 14 anos e é alvo de disputa judicial entre os rivais mineiros. A exclusão se deu após o Movimento dos Clubes Formadores do Futebol Brasileiro (MCFFB) sinalizar à organização do torneio que considera equivocada a forma como o Cruzeiro incluiu o ex-jogador do América ao elenco.
Caso o Cruzeiro não fosse banido, outros clubes sinalizaram que não participariam da competição. Presidente do MCFFB, Eduardo Freeland, com passagem pela diretoria de base do próprio Cruzeiro e atualmente na coordenação da pasta no Flamengo, explicou o posicionamento do movimento em entrevista à Rádio 98 FM.
“A gente tentou mediar para que houvesse um acordo e o Cruzeiro entendesse o contexto e fizesse com que o atleta se reapresentasse ao América. O Cruzeiro, enfaticamente, disse que não concordava. Primeiro, disseram que foi oferecido (ao Cruzeiro). Depois, disseram que ele foi lá fazer avaliação. A gente sabe que o nível do atleta, pelo potencial que ele tem, a gente sabe que não foi esse o contexto”.
Segundo Freeland, existe a possibilidade de o boicote ao Cruzeiro ocorrer também em outras competições de base. “Nosso viés não é prejudicar o Cruzeiro, mas a gente entende que essa prática não é adequada. A gente vai continuar sinalizando às competições particulares, como foi a Nike, como vamos ter a 2 de julho, em Salvador, a Salvador Cup, tem a própria Taça BH, que é uma situação um pouco mais delicada, pelo Cruzeiro fazer parte da Federação Mineira (FMF)”.
A reportagem do Superesportes buscou o posicionamento atualizado dos clubes na manhã desta quarta-feira.
Paulo Bracks, diretor de base do América:
“O que o América quer é que o sistema seja respeitado. O América quer a ética e o bom senso e que volte a ter esse tipo de relação, que desde 2015 estava tendo com todos os clubes. Todos os clubes compraram a briga do América. O que a gente quer é que seja respeitada a base, que seja respeitada a formação do jogador, que não haja assédio financeiro, como se dinheiro comprasse tudo. Dinheiro não vai comprar a formação do jogador, principalmente com imoralidade, antiética e atitudes iguais a essa. Se o Cruzeiro quer guerra, vai ter guerra. A primeira batalha foi essa, a Copa Nike. Vai se alastrar para todas as competições privadas de base do Brasil. Vai ser um prejuízo intangível para a base do Cruzeiro, atletas e comissão técnica, além de repercussão nacional das categorias de base do Cruzeiro. Eles não têm dimensão do tamanho do problema que causaram e vão sofrer as consequências por terem feito dessa forma”.
Marcone Barbosa, gerente de futebol do Cruzeiro:
“Quanto ao problema do jogador Vitor Roque, o Cruzeiro está absolutamente tranquilo dentro dessa situação. O pai do jogador procurou o Cruzeiro logo depois que ele tinha encerrado o vínculo dele com o América. O Cruzeiro fez uma consulta ao sistema da CBF e viu que o jogador, de fato, não tinha nenhum registro de contrato com nenhum clube. O jogador ainda, segundo a família dele, tinha a possibilidade de se transferir para outro clube. Esse clube, inclusive, era o Palmeiras. Mas como a família dele é de Belo Horizonte e torce pelo Cruzeiro, o pai insistiu para que deixasse o jogador participasse de um teste. Fizemos uma peneira aqui, com outros jogadores dessa idade, e ele passou pela peneira. A partir dali, o Cruzeiro fez todo o trâmite burocrático para incluir o jogador no elenco. Durante esse processo, o pai fez, inclusive, uma representação contra o América e contra a associação de clubes no Ministério Público em função de algumas ameaças que havia sofrido quando decidiu que o jogar não ficaria no América. A partir dali, o Cruzeiro tomou as medidas que precisava tomar para registrar o jogador. Essa situação está extremamente sob controle na ótica do Cruzeiro. Todas essas demandas que por ventura vierem em função do registro do jogador, o Cruzeiro vai discutir cada uma delas no fórum próprio. O mais importante é que o Cruzeiro não aliciou nenhum jogador. O jogador chegou ao Cruzeiro depois de não ter tido o vínculo confirmado com o América”.
Entenda o caso:
Vitor Roque passou a jogar nos times de base do América aos 10 anos. Ao completar 14 - idade mínima permitida para a assinatura de contrato de formação -, o atacante não se reapresentou ao clube. Poucos dias depois, o diretor de futebol de base Paulo Bracks foi informado de que o atleta estava treinando no Cruzeiro.
A primeira reação do América foi informar o MCFFB e cobrar justamente o boicote ao Cruzeiro nas próximas competições da categoria. Neste mês, o clube alviverde acionou o rival no Ministério Público do Trabalho (MPT) sob a alegação de que a diretoria da Raposa desvirtuou o propósito de formação ao tratar um adolescente, ainda com contrato de formação, como um jogador adulto.
Promessa da base americana, Vitor Roque foi artilheiro do Mineiro Sub-14 de 2018, com oito gols. No perfil do atleta no Instagram é possível ver um vídeo de um belo gol marcado por ele contra o Atlético, na Cidade do Galo, pela partida de volta da final do torneio. No lance, o camisa 9 ajeitou a bola no peito, livrou-se de três marcadores e bateu rasteiro no canto esquerdo. O Coelho acabou derrotado por 3 a 2.
Na semifinal, contra o Cruzeiro, Vitor também foi destaque ao fazer o primeiro gol americano na vitória por 2 a 0, na Arena Gregorão, em Contagem, pelo jogo de ida. No duelo de volta, as equipes empataram por 1 a 1, na Toca da Raposa 1.
Conforme noticiado pelo Superesportes em 23 de março, o América esperava a reapresentação de Vitor Roque no CT Lanna Drumond em 4 de fevereiro, o que acabou não acontecendo. No dia 28 do mesmo mês, o garoto completou 14 anos e começou a treinar no Cruzeiro, que se recusou a liberá-lo para o Coelho.
À época, as duas diretorias deram suas versões à reportagem. O América alegou que o Cruzeiro teria feito assédio financeiro a Vitor Roque, com salário de R$ 10 mil. Por sua vez, a cúpula celeste negou o aliciamento e afirmou que o adolescente não tinha mais o interesse de jogar pelo Coelho.

Por João Vitor Marques e Rafael Arruda
Super Esportes
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