Causos & Lendas do Nosso Futebol: O Craque Escritor

Recebi a difícil e honrosa missão de escrever a apresentação do novo livro de João Telino da Costa Neto, denominado de “Do Botafogo - Lembranças dos tempos áureos – Anos 60”; que será lançado no dia seis de abril, às dezesseis horas, na granja do Wallace, localizada na Rua João Valdeci Gonçalves, nº 18, bairro do Altiplano, nesta capital.
Em primeira mão, passo aos queridos leitores as linhas que rabisquei sintetizando a infância, a adolescência e a carreira de um jogador de futebol que não tive o prazer de vê-lo jogando, mas que sempre escutei enormes elogios ao seu talento dentro das quatro linhas.
Eis a nossa apresentação:  
O livro do meu amigo e irreverente João Telino da Costa Neto, o popular “Telino”, é uma síntese da melhor parte de sua vida, relatada com minúcias e detalhes de uma época em que todo mundo se conhecia em sua rua.
Ele mergulha com muito saudosismo e sinceridade nas veias e artérias dos bairros de Jaguaribe e Cruz das Armas, logradouros que foram palcos de sua vida quando ainda se chamava “Joãozinho” e  “João do Pão”. Naquelas ruas ele aprendeu, estudou, namorou, brincou e para a nossa alegria ele aprimorou uma arte que muitos tentam mas, poucos conseguem que é jogar futebol com elegância,  talento e muita habilidade.
Os entulhos e as sobras de demolição do antigo campo do Esporte Clube Cabo Branco, localizado em Jaguaribe, foram tristemente fotografados pela retina daquela criança que, ao crescer, iria jogar em vários estádios brasileiros e além mar (Ásia, África e Europa em uma excursão de mais de 100 dias do ABC).
Quando aquele garoto deixou de ser chamado de Joãozinho ou João do Pão, já era destaque no futebol de salão, no glorioso time do CONCA e no futebol da Portuguesa, ambos do Bairro de Cruz das Armas.
Ainda muito jovem Telino assinou o seu primeiro contrato como jogador profissional com a equipe do Auto Esporte Clube, à época, treinado pelo saudoso e competente Berto. No clube do povo, o nosso craque jogou apenas uma temporada já que o clube licenciou-se da FPF e liberou todo o seu elenco.
Foi aí que por pouco Telino não foi contratado pelo então fortíssimo Campinense Clube, equipe que na década de sessenta era considerada imbatível e que tinha conquistado o hexa-campeonato. No dia de assinar o contrato com o rubro-negro, já em Campina Grande, ele foi convencido por amigos a retornar para João Pessoa e assinar contrato com o Botafogo.
No Botafogo, Telino começa uma linda história com o clube que lhe projetou para o futebol, ao lado de uma geração de jogadores que marcaram os torcedores paraibanos.  Quem não se lembra de Fernando, Lula, Lúcio Mauro, Valdo, Lando, Zezito, Santana, Dissor, Pibo, Édson, Chico Matemático, Jailson, Toínho, Simplício, Roberto, Odon, Nininho, Zito Camburão e tantos outros que escreveram os seus nomes na belíssima história do futebol paraibano?
Em seu livro ele relata com detalhes o antigo campo de Pedro Gondim, na época o CT do clube, hoje o Espaço Cultural. A casa alugada pelos irmãos Camelos (Assis, Agnaldo e Milton) na belíssima praia de Manaíra, onde passou a ser a concentração do time que iria trazer o título para João Pessoa, naquele empate em 1 x 1, dentro do Estádio Presidente Vargas contra o poderoso Treze Futebol Clube de Facó e companhia.
O antigo campinho da Graça é citado com muita nostalgia pelo jogador escritor quando ele cita Dona Gertrudes, a dama de preto e branco, uma torcedora exemplar do Botafogo.  Ele também nos lembra uma arquibancada poleiro, de madeira existente no quintal de uma casa ao lado daquela praça de esportes de Cruz das Armas. Ali assistiu o grande Rinaldo Amorim, ponteiro esquerdo que jogou nos maiores clube do país e na seleção brasileira em início de carreira jogando com a camisa do Auto Esporte.
O nosso craque\escritor também chorou com as mortes dos companheiros Delgado, Joca e Cutia, jogadores que foram assassinados, como também a prematura e trágica morte de Nininho, o fiapo de ouro.
E como tudo na vida é passageiro, logo o futebol paraibano ficou pequeno para o craque/escritor, que foi vendido para o Santa Cruz do Recife, depois para o ABC, América e Alecrim de Natal, sendo esta última cidade a sua residência até os dias atuais.
Quem o viu dentro das quatro linhas com a bola dominada, se espelhando em Marajó, antigo jogador paraibano, sabe que se ele não tivesse rompido os meniscos em Recife – passou um ano no DM- teria alçado outros vôos bem maiores em sua carreira.
Caro leitor, faça como eu e mate a saudade de um futebol que não mais existe porque  foi sepultado pela insensibilidade de seus dirigentes. Uma boa leitura a todos!

Serpa Di Lorenzo
Membro Pleno do TJDF PB, da ACEP e APBCE
falserpa@oi.com.br
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