FPF cria comissão de clubes, que vai analisar documentos da eleição deste ano da entidade

A presidenta da Federação Paraibana de Futebol (FPF), Michelle Ramalho, enfim, voltou a dar entrevista. A dirigente não falava desde que o Esporte Espetacular revelou suspeitas de que as eleições que deram a ela o cargo maior do futebol paraibano tiveram fraudes. Nesta quarta-feira, na sede entidade, após uma reunião com clubes e com Valberto Lira, coordenador da Comissão Permanente de Prevenção e Combate à Violência nos Estádios do Ministério Público, a mandatária da FPF revelou que criou uma comissão de clubes para analisar a documentação das eleições.
Michelle sugeriu, ainda, dois pontos: que a comissão fosse formada por clubes que não votaram nela no último pleito e que tivesse em sua composição um representante do Ministério Público. Dessa maneira, ficou definido que dirigentes de Botafogo-PB, Esporte de Patos, Campinense e Sousa vão fazer essa espécie de auditoria.
- Hoje foi pauta da reunião também a questão da eleição. Foi criada uma comissão, e eu pedi que preferencialmente aqueles que não votaram em mim analisem todas documentações de todos os clubes que fizeram parte do pleito eleitoral. Chamei o Ministério Público também para fazer um termo de cooperação com a FPF para mostrar a lisura e toda a transparência, que sempre serão marcas de minha gestão - explicou.
O representante do Ministério Público, Valberto Lira, elogiou a iniciativa da dirigente e disse que em breve o órgão deve indicar alguém para acompanhar o andamento das análises da comissão formada por alguns filiados da FPF.
- A Federação está enviando ao procurador-geral de Justiça o pedido de designação de um membro do Ministério Público para acompanhar os trabalhos de uma comissão que foi formada dentro da FPF, constituída por clubes que não votaram na presidente. Ele vai analisar o pedido e deve designar um membro acompanhar a comissão - disse Valberto.
Michelle Ramalho foi eleita no dia 29 de setembro em uma eleição bastante apertada, numa disputa contra o ex-diretor executivo da entidade, Eduardo Araújo. O pleito terminou empatado em 25 a 25 no “primeiro turno”. Por conta do empate, uma nova votação teve que ser feita e, então, Michelle venceu a eleição por 26 e 24.
Meses depois da vitória, ex-funcionários e dirigentes de clubes acusam o interventor da FPF à época, João Bosco Luz, de ter manipulado a eleição para beneficiar a então colega de Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). As denúncias envolvem fraudes nos registros de clubes e ligas de futebol para que estes ficassem aptos a constarem no colégio eleitoral do pleito e, assim, beneficiar a candidatura de Michelle.
Derrotado no pleito, o advogado Eduardo Araújo já prometeu acionar a Justiça para anular a eleição vencida por Michelle Ramalho. O Ministério Público prometeu também entrar no caso e investigar as denúncias.

Por Pedro Alves e Lucas Barros 
Globoesporte.com/João Pessoa
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