Nosman presidente: dirigente encara falta de apoio dos clubes e denúncias de fraudes

 
Nosman assumiu a FPF após afastamento de Amadeu
A crise no futebol paraibano parece não ter fim. Investigações, acusações e denúncias se tornaram páginas recorrentes no dia a dia do futebol local, quando a bola deixou de rolar no último jogo do Campeonato Paraibano deste ano: a final entre Campinense e Botafogo-PB. Manipulação de resultados, adulteração de súmulas, organização criminosa… são esses os sinônimos do futebol da Paraíba desde 9 de abril. Vendo isso, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) resolveu intervir. Afastou Amadeu Rodrigues da Federação Paraibana de Futebol (FPF) e fez uma auditoria na entidade. Mas o interventor logo voltou para o Rio de Janeiro. Deixou a chave da entidade com Amadeu novamente, mas nem deu tempo de abrir a porta. A Justiça bateu à sua e tirou seus poderes, afastando-o da presidência. Nosman Barreiro - o vice que ao longo do mandato se tornou seu adversário político - assumiu o cargo maior do futebol estadual. Mais um investigado por irregularidades. Sem apoio dos clubes é acusado por alguns deles de cometer fraudes.
Nosman Barreiro foi eleito em 2014 como vice na chapa de Amadeu Rodrigues, com o apoio de Rosilene Gomes (Foto: Larissa Keren / GloboEsporte.com/pb)
Documentos que constam no inquérito policial da Operação Cartola, a que o GloboEsporte.com teve acesso, mostram que atual presidente da FPF é investigado por supostamente ter falsificado algumas assinaturas de clubes, em um documento em que tratava de um pedido dos filiados, datado do dia 29 de agosto de 2016, para que fosse convocada em regime de urgência uma Assembleia Geral Extraordinária para que Amadeu Rodrigues apresentasse a prestação de contas do exercício de 2015.
Esse foi o primeiro episódio em que Nosman Barreiro publicamente se colocou em posição de embate contra Amadeu Rodrigues. O mais incisivo, no entanto, se daria quase um ano depois, no dia 1º de junho, quando o vice aproveitou uma viagem do presidente à França, onde chefiava a delegação da Seleção Brasileira Sub-20 que jogava um torneio no país, e tentou assumir a entidade. O ato gerou muita confusão entre os apoiadores de Nosman e de Amadeu na sede da FPF, em João Pessoa.
Requerimento de Assembleia Geral formulado por Nosman Barreiro para que Amadeu prestasse contas da FPF (Foto: Reprodução / Polícia Civil)
Em total rota de conflito desde a tentativa de Nosman de convocar uma Assembleia Geral, os dirigentes travaram uma briga política nos bastidores. Sendo que o vice-presidente da entidade não demonstrou como realidade o apoio dos filiados que parecia ter na ocasião da convocação da assembleia. Atualmente há um movimento de clubes que buscam a destituição do dirigente do cargo de presidente. Uma Assembleia Geral Extraordinária foi convocada, à revelia do presidente da FPF, para esta segunda-feira, para discutir o assunto.
Enquanto que esses filiados se reúnem com mais frequência e assumem posições mais claras e contrárias a Nosman, não há nenhuma voz de apoiadores, por ora, que defenda o dirigente de Itaporanga no cargo mais importante do futebol local. O trio de ferro - Treze, Campinense e Botafogo-PB - acompanha o momento em cima de um largo muro e até agora não demonstraram vontade de pular e assumir algum lado.
Presidenta da Ponte Preta registrou BO na Capital (Foto: Reprodução / Polícia Civil)
Além da composição política, no momento, desfavorável, especificamente cinco agremiações estão bastante incomodadas com emersão de Nosman ao poder. Elas constavam no documento como requerentes da convocação da Assembleia Geral e revelaram que não assinaram o requerimento.
O episódio virou caso de polícia. Sendo que com certo atraso. Quase um ano depois, os representantes legais dos clubes profissionais Internacional-PB e Sabugy e dos amadores Ponte Preta e Portuguesa - esses dois últimos de João Pessoa -, além da Liga Desportiva de Cajazeiras, registraram um Boletim de Ocorrência (BO) noticiando à autoridade policial o fato.
O BO da Liga Desportiva de Cajazeiras , inclusive, traz um fato curioso. O presidente da agremiação, Geraldo Fabrício da Silva, acusa Nosman de ser o responsável por falsificar a sua assinatura. No documento, no espaço dedicado à rubrica do dirigente, há uma assinatura identificada como “Nego D”. Geraldo é conhecido no futebol como Nego Dias, mas, segundo seu relato, assina documentos com o seu nome da certidão de nascimento.
BO feito pelo presidente da Liga Desportiva de Cajazeiras, que alega que Nosman falsificou a sua assinatura no requerimento (Foto: Reprodução / Polícia Civil)
Assinatura no requerimento está como "Nego D" (Foto: Reprodução / Polícia Civil)
Quem também se sentiu lesada nesse caso e registrou a ocorrência da suposta falsificação de assinatura foi a presidenta da Ponte Preta, Gerlane Lucas. Em contato com a reportagem, a dirigente reprovou a atitude, atribuiu a falsificação a Nosman e avaliou que um dirigente que faz essas coisas não pode permanecer à frente da FPF.
- Ele terminou assumindo a FPF, só que contra a vontade de todos. Porque ele andou aprontando até chegar ao ponto de falsificar assinaturas. Nosman não tem condição nenhuma de ser presidente. Eu nem conheço ele pessoalmente, ele nunca nem falou comigo, mas chegar ao ponto de falsificar… eu acho que deveriam antecipar as eleições - comentou.
Acusação de fraudes na 2ª divisão do Paraibano
Quando a chapa vencedora das eleições de 2014 assumiu a FPF, em 2015, o então presidente Amadeu Rodrigues ordenou que Nosman Barreiro, ainda seu parceiro político, comandasse a organização da 2ª divisão do Campeonato Paraibano daquele ano.
Ao longo das primeiras reuniões para discutir a competição, poucos problemas. Quando o torneio foi chegando próximo de começar, as equipes naturalmente precisaram inscrever os atletas. E aí o ambiente ficou polêmico. De acordo com alguns clubes que disputaram aquele torneio, Nosman Barreiro recolheu várias taxas de regularização de jogadores e não repassou para a tesouraria da FPF.
A acusação foi registrada em um pedido de banimento protocolado por 52 agremiações e endereçado à presidência da entidade no dia 5 de junho de 2017. Amadeu, por sua vez, encaminhou, três dias depois, uma denúncia para a Comissão de Ética e Disciplina da CBF, pedindo que o antigo aliado fosse banido do futebol. A CBF não condenou o dirigente e afastou tanto Amadeu como Nosman para que houvesse uma intervenção, realizada pelo auditor do Superior Tribunal de Justiça (STJD), Flávio Boson.
Malaquias acusa o atual presidente da FPF de ter desviado o dinheiro de uma taxa da FPF (Foto: Pedro Alves / GloboEsporte.com)
Na representação constam todos os episódios já citados, menos um, que veio à tona um pouco depois e foi alvo de investigação policial. A denúncia do presidente do Sabugy de Santa Luzia, Manoel Miguel de Araújo Filho - conhecido como Malaquias no meio futebolístico - que disse que um cheque seu dado a Nosman para o pagamento de taxas de inscrição de atletas, no valor de R$ 686, não entrou na conta da FPF, como deveria ter sido.
O pagamento era referente à 2ª divisão do Campeonato Paraibano de 2015, torneio que estava sob a gerência do dirigente. Na microfilmagem do cheque, cedida pela Caixa Econômica Federal, está registrado o nome de Nosman e o número da uma agência de Itaporanga, cidade natal do atual presidente da FPF, na qual foi depositado o valor.
Malaquias se sentiu lesado, mas só registrou um BO na polícia mais de dois anos depois. Na ocasião, o dirigente do clube relatou o caso e em entrevista ao GloboEsporte.com reiterou a denúncia, revelando também que teve sua assinatura falsificada no caso do pedido da prestação de contas da FPF.
 
Microfilmagem do cheque passado por Malaquias para Nosman Barreiro; valor foi compensado em uma conta em Itaporanga (Foto: Reprodução / Polícia Civil)
- Eu dei um cheque meu e fui saber pela microfilmagem que estava em Itaporanga. E o dinheiro era relacionado à taxa da FPF. Aí, quando foi algum ano depois, disseram que eu tinha assinado um papel, mas eu não assinei papel algum. Eu não tenho nada contra ele, mas não dá para confiar em Nosman. Tanto faz você desviar seiscentos reais e um milhão de reais. É o mesmo roubo - desabafou Malaquias.
Até o momento, Nosman Barreiro não foi denunciado pelo Ministério Público por qualquer indício de crime. O dirigente, inclusive, assumiu que foi um dos denunciantes de diversas supostas irregularidades cometidas por dirigentes de clubes e pelo ex-presidente da FPF, Amadeu Rodrigues, que acabou desencadeando na Operação Cartola.
Defesa de Nosman Barreiro rebate acusações
A reportagem entrou em contato com a defesa de Nosman Barreiro, que rebateu de pronto as acusações, que ela trata como armação de Amadeu. De acordo com o advogado Diego Lima, que representa o dirigente, a questão do suposto desvio de recursos da FPF é uma ficção construída por pessoas que só querem tumultuar o ambiente, após Nosman ter assumido o cargo maior do futebol paraibano.
- O cheque nem é assinado por ele. Ele sequer tinha autonomia para isso. É tudo uma armação. Só pode ter sido - comentou o advogado.
Diego Lima (à direita) rebateu as acusações e tratou tudo como armação dos opositores (Foto: Cisco Nobre / GloboEsporte.com)
Já em relação às denúncias dos cinco clubes que alegaram que não assinaram o requerimento para que Amadeu Rodrigues prestasse contas da entidade do exercício de 2015, a defesa de Nosman explicou que não foi o dirigente que colheu as assinaturas.
- Não foi Nosman que recolheu as assinaturas dos clubes. Se houve alguma fraude nisso, não foi do presidente Nosman, que é um homem honesto e que não está nessa lama que está o futebol paraibano. O presidente foi justamente quem mostrou que a FPF estava nesta lama - finalizou.

Globo Esporte PB
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Inicio Joao Henrique

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