Caxias x Treze: confusão generalizada punida no STJD

Daniela Pinho
Os Auditores da Terceira Comissão puniram os envolvidos na confusão generalizada que gerou o encerramento da partida entre Caxias e Treze, pela Série D do Campeonato Brasileiro e determinaram a baixa dos autos para que a Procuradoria analise novos infratores e, se necessário, ofereça nova denúncia. Em julgamento realizado nesta quarta, dia 25 de julho, os Auditores puniram o Caxias com a interdição por duas partidas do setor leste e multa total de R$ 5,1 mil, multaram o Treze em R$ 10 mil por rixa e tumulto, aplicaram uma partida a Julinho, dois jogos a Djalma e a Maxuell, quatro jogos a Caio, 360 dias de suspensão ao chefe de segurança Paulo Roberto da Rosa Teixeira e absolveram o atleta Lucio e o médico Rafael Lessa. A decisão cabe recurso e deve chegar ao Pleno, última instância nacional.
Em partida válida pelas quartas de final da Série C e que definiu o acesso à Série C do Campeonato Brasileiro, Caxias e Treze protagonizaram cenas lamentáveis de violência. Na comemoração do terceiro gol do Treze teve início uma confusão generalizada envolvendo jogadores e comissão técnica de ambas as equipes. Por questões de segurança e após 12 minutos de paralisação, a equipe de arbitragem se reuniu com o responsável pelo policiamento, com o delegado da partida e os capitães das equipes, que decidiram não haver mais condições de segurança e encerraram o jogo. Com a narrativa do árbitro Ricardo Marques Ribeiro na súmula, a Procuradoria denunciou clubes, atletas, chefe de segurança e o médico do Caxias.
Os atletas do Caxias compareceram ao julgamento e auxiliaram na identificação e conduta de outros integrantes antes não identificados.
Primeiro a falar, Julinho negou que tenha dado socos, chutes e pontapés no adversário de número 6 e que não sabe o motivo de ter sido expulso. Repassando os vídeos, o jogador foi identificado na confusão e respondeu as perguntas dos Auditores.
Logo após o goleiro Lucio foi chamado e negou que tenha atingido qualquer atleta e reviu os vídeos com os Auditores que confirmaram a versão do arqueiro. “Todas as imagens que foram ao ar no Rio Grande Sul mostram eu separando. Impossível eu ter atingido e chutado o adversário. Naquele momento se o árbitro me identificou sendo o camisa 12 poderia ter me dado o cartão. O árbitro não está aqui e o que ele anotou eu vou prestar conta do que não aconteceu. Eu invadi depois que começou todo o tumulto. Estava fazendo o aquecimento e na hora que deu o tumulto  eu corri no miolo da briga e tentei apaziguar da melhor maneira”, disse o jogador.
Denunciado por agressão, Caio confirmou que chutou o camisa 6 do Treze e falou sobre o arrependimento. “Fui por trás e quando estou voltando ele vem correndo e eu desfiro um chute nele e me arrependo muito. Me envergonho e sei que me prejudica na carreira. Recebi uma tentativa de soco. Perdi a cabeça, perdi a razão e estou aqui para confirmar o fato e dizer que estou muito arrependido”, disse o atleta. Caio afirmou ainda que sofreu uma tentativa de agressão por parte do adversário Maxuell , mas que o soco não chegou a acertar.
O médico do Caxias, Rafael Lessa também prestou depoimento. Lessa acabou confundido e denunciado no lugar do roupeiro do clube.
Capitão da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, Amilton Turra de Carvalho explicou o plano de ação e segurança para a partida e destacou que o torcedor que invadiu o campo foi identificado e detido em seguida. O capitão informou ainda que os objetos proibidos que entraram no estádio foram permitidos mediante a identificação e responsabilização de torcedores e que foi feito um relatório do jogo encaminhado para o Caxias.
Pela Procuradoria a advogada Danielle Maiolini agradeceu a presença dos denunciados e ajuda na identificação e busca pela verdade dos fatos. “Muita coisa foi esclarecida e a Procuradoria terá que refazer alguma parte da denúncia. De antemão, a Procuradoria entende que o Dr Rafael Lessa foi denunciado por uma confusão e ao verdadeiro a ser denunciado é Ederson Machado, roupeiro do clube. Ao Caxias parabenizo os esforços na identificação, mas hoje é dia 25 e não foi dado nenhum encaminhamento a essas pessoas identificadas. Não faz sentido saber quem são os infratores e nada acontecer.. O Treze existe uma responsabilidade que permanece de forma mais grave por não ter enviado ninguém para explicar a situação. O fato corrobora com a denúncia no artigo 257 e atrai uma gravidade maior”, sustentou.
Pelo Treze o advogado Marcelo Mendes defendeu que não há de se falar na dificuldade de identificação dos infratores previsto no parágrafo 3º do artigo. “ A defesa entende que a Comissão Técnica não participou de nenhuma rixa, mas apenas se defenderam. O massagista consta na súmula, o camisa 4, zagueiro titular, troca socos com o torcedor do Caxias, o atleta Djalma e o Maxuell na tentativa. Todos foram identificados ou havia total possibilidade de identificação. As condutas dos atletas que participaram foram no intuito de se defenderem e de apartar a confusão”, disse Marcelo.
Do lado do Caxias, Francisco Balbuena defendeu que o estádio é seguro, pediu um voto de confiança dos Auditores, destacou que o clube formou Tite, Felipão e Mano Menezes e que o fato ocorrido foi atípico. O defensor citou ainda as medidas tomadas após o episódio e pediu que fosse levado em consideração o esforço do clube em trazer ao STJD os denunciados e tentar esclarecer os fatos e identificar todos os envolvidos. “Imediatamente após o jogo passamos a identificação das pessoas e anexamos o protocolo do Jecrim de Caxias do Sul com ofício de todos os Boletins de Ocorrência. Pegamos as súmulas e os relatórios e iniciamos um trabalho de busca e identificação. Diante da Identificação dos infratores que arremessaram os objetos a defesa pede a absolvição do clube por provar que  cumpriu a excludente prevista no parágrafo 3º do artigo 213. Além disso, o clube suspendeu preventivamente a torcida organizada Falange Grená por 180 dias em ofício”, defendeu.
Logo após as sustentações, os Auditores iniciaram os votos. Com mais de quatro horas de julgamento o presidente da Comissão Sérgio Martinez anunciou o resultado. Por maioria, os Auditores puniram o Caxias pela desordem e interditaram por dois jogos o setor leste onde fica localizada a torcida organizada e multa de R$ 100, tendo em vista a perda de renda do setor fechado e absolveram o clube pela invasão de campo e lançamento de objetos no campo; multaram em R$ 5 mil o Caxias por rixa e tumulto e o Treze em R$ 10 mil pela mesma infração.
Aos atletas do Treze, os Auditores aplicaram duas partidas de suspensão Djalma, sendo um jogo por chutar a bola para longe e um jogo por provocar os adversários e duas partidas a Maxuell pela tentativa de agressão. Ao Caxias, aplicaram um jogo a Julinho por ato desleal ou hostil, quatro jogos a Caio por agressão, suspensão por 360 dias de suspensão ao chefe de segurança da equipe, Paulo Roberto da Rosa Teixeira, por dupla agressão e absolveram o atleta Lucio e médico Rafael Lessa.

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