Garoto potiguar vende dindin e picolé para pagar Escolinha de Futebol

Mizael Martins vende dindins para pagar sua Escolinha de Futebol
Mizael Martins tem 14 anos e, assim com muitos outros garotos da sua idade, sonha em ser jogador de futebol. Para transformar isso em realidade, o garoto escolheu um caminho de muito suor. Decidiu vender dindins e picolés junto da família para pagar a escolinha de futebol que o irmão frequentava em Parnamirim, na Grande Natal. A decisão foi tomada para não comprometer as contas da mãe, dona Maria de Lourdes. Para ele, o esforço é muito maior que a necessidade financeira: é também uma lição de vida.

Isso é muito bom para a minha experiência porque eu aprendo a ter maturidade. Quando cheguei à escolinha, eu mesmo não quis nenhuma bolsa porque eu sabia que vender dindim poderia me ajudar. Estou me dando muito bem, tanto na escolinha, com meus amigos, como em casa - afirma Mizael.
Os principais compradores dos dindins são os próprios companheiros de equipe e os moradores do bairro onde mora. Em todos os dias de treino, a mãe do garoto produz os dindins, Mizael enche uma caixa de isopor com o produto e percorre dois quilômetros até a escolinha. 
A família comercializava picolés antes do menino começar a participar da escolinha de futebol F3S, no bairro Rosa dos Ventos, na região metropolitana de Natal. Quando começou a participar, conversou com o professor Fábio Silveira e pediu para negociar o preço da mensalidade de acordo com o orçamento que ele ganha com a venda dos produtos. A resposta que ouviu foi de total apoio, mesmo assim decidiu não diminuir o esforço. A mãe, então, passou a produzir dindins para aumentar o cofrinho do garoto.
- Minha pergunta quando ele chegou foi bem direta: quanto é que você quer pagar? E eu achei que ele ia dar um valor bem abaixo do que ele deu. Isso demonstra que ele tem a consciência que é preciso ralar para conseguir as coisas dele - afirmou o professor Fábio, que comanda 80 alunos até 17 anos, em cinco categorias. 
A dedicação do garoto dentro de campo admira o professor e a família. Mizael trabalha arduamente para se tornar lateral-esquerdo e, ao mesmo tempo, torna-se uma pessoa com a consciência de que a vida é difícil para alguns. O esforço vem dando certo: aos 14 anos, Mizael joga na equipe sub-17 por ter uma boa desenvoltura, além de chamar atenção pela altura (1,82m). Ele não tem pressa para chegar a um grande clube e segue trabalhando para agarrar a oportunidade quando aparecer. Caso a vida reserve outros caminhos, o trabalho não terá sido em vão. 
- Qualquer proposta que aparecer eu aceito. Mas, envolvendo tudo, confiar e sonhar são as únicas coisa que me importam agora. Não é pensar só no futuro. E eu creio que mesmo não me tornando jogador eu vou ser uma pessoa melhor por causa do que faço - disse. 
Mizael sonha em se tornar jogador profissional na lateral-esquerda
          (Foto: Augusto Gomes/GloboEsporte.com)
Globo.com
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