Causos & Lendas do Nosso Futebol: Você se lembra de Édson?

Edson(2º em pé a esquerda), foto do título estadual pelo ABC-RN em 70
Ele nasceu no dia 15 de fevereiro de 1946, na pequenina cidade pernambucana de Orobó, e foi civilmente registrado como José Edson Gomes da Silva, o “popular zagueiro Edson”. Com a mudança de seus pais para a cidade de Surubim, também solo pernambucano, nosso homenageado teve a sua infância e adolescência participando nas peladas, nos times amadores e na seleção de Surubim.
Em 1966 ele já jogava nos juvenis do Clube Náutico Capibaribe, do Recife, conquistando o título estadual de aspirante, daquela temporada. Em 1967 participou de vários jogos na equipe profissional e disputou novamente o campeonato de aspirantes.
Em 1968, Edson, juntamente com outros atletas do Náutico veio emprestado ao Botafogo Futebol Clube de João Pessoa, que estava formando uma grande equipe para retomar a hegemonia do futebol paraibano, que desde o ano de 1960 pertencia aos times da famosa Serra da Borborema, em especial ao esquadrão do Campinense Clube que conquistara o hexacampeonato.
O Botafogo tinha como dirigentes máximos os irmãos Assis, Milton e Inaldo Camelo que trouxeram o técnico Caiçara e armaram uma equipe muito forte e em condições de trazer a cobiçada taça de campeão para a capital.
Caiçara, que havia sido jogador e treinador do Clube Náutico Capibaribe, indicou os jovens Edson, Toínho, Roberto e Jailson recém surgidos nas categorias de base do time dos Aflitos.
Edson veio a formar com Lando uma dupla de zagueiros inesquecíveis: firmes, fortes e entrosados, com boa estatura e que jogavam com muita segurança ao lado do goleiro Fernando e dos laterais Lúcio Mauro e Zezito; sendo até os dias atuais lembrado como um dos melhores sistemas defensivos do clube.
O talentoso Edson, passou apenas uma temporada emprestado ao Botafogo da Paraíba, e foi em um ano que marcou muito, pois aquela equipe disputou 79 partidas, entre amistosas e as oficiais, marcando 159 gols e sofrendo apenas 83, o que lhe rendeu um saldo positivo de 76 tentos, índice que por si só demonstra o seu entrosamento e qualidade para ser o campeão de 1968.
O nosso homenageado estava em campo naquela batalha ocorrida no dia 04 de agosto de 1968, no Estádio Presidente Vargas, em jogo decisivo apitado por Gilberto Ferreira e com o auxílio de Ednaldo Silva e Genival Batista, quando o Belo perdia por um a zero e, faltando poucos minutos para encerrar a partida, o companheiro de Edson, Lando, subiu e empatou o jogo com uma heróica e fulminante cabeceada.
Como em um passe de mágica, os refletores foram desligados, uma forte briga foi iniciada dentro e fora do gramado, com cinco jogadores do Treze sendo expulsos. A partida foi encerrada e a delegação do time da capital precisou pular o muro de uma unidade militar ali existente. O Botafogo foi o campeão.
Para a nossa tristeza o contrato de empréstimo de Edson encerrou e o craque precisou voltar para o alvirrubro dos Aflitos, onde disputou o campeonato estadual de 1969 e quando foi na temporada de 1970, ele foi emprestado ao ABC de Natal.
No final daquele ano, o Clube Náutico Capibaribe resolveu comprar o passe do jovem talentoso que posteriormente iria encantar o mundo, Marinho Chagas, que pertencia ao ABC de Natal. Para efetuar aquela transação, foi pago uma quantia em dinheiro e os jogadores Edson, Soares e Edvaldo Araújo foram transferidos em definitivo ao time do ABC.
O clássico zagueiro Edson foi o capitão da equipe abecedária nas conquistas dos títulos estaduais de 1970, 71, 72 e 73. Sua categoria e liderança em campo chamavam a atenção dos torcedores. Época de ouro do alvinegro do Rio Grande do Norte.
Em 1973, a equipe foi punida pela justiça desportiva e ficou sem calendário, o que resultou em uma excursão de mais de 100 dias pela Europa, Ásia e África. O nosso, zagueiro, e líder teve uma participação de destaque na viagem além mar, junto de outros atletas que aqui também honraram a camisa do Botafogo, como Baltazar, Valdeci Santana, Jorge Demolidor, Telino e Soares.
Em 1975, Edson encerrou a sua carreira de atleta e iniciou uma nova vida profissional como Economista formado pela UFRN.
Para nós torcedores, cronistas e desportistas ficou a certeza de que José Edson Gomes da Silva, o popular “Edson”, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.

Serpa Di Lorenzo
Auditor do TJDF PB  e da ACEP e APBCE
falserpa@oi.com.br
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