Pivô de escândalo no Corinthians diz que agiu para Jabá ser convocado para Seleção

Léo Jabá passou por diferentes categorias da Seleção
     (Foto: Divulgação)
Durante negociação de suborno para a escalação de um jogador na equipe sub-17 do Corinthians, o homem apontado como sendo Wilson Zaponi Gomes da Silva diz ter influenciado na convocação do atacante Léo Jabá para as seleções de base do Brasil.
– Sabe o Jabá? Se eu não tivesse tirado ele de lá, ele estava f... Estava jogado lá na rua. Se eu não tivesse tirado ele lá [...] Ele só está sendo convocado e o c... porque eu tenho um amigo aí. Se ele não tem amigo, não é convocado. Não adianta nada – declara.
No áudio obtido pelo GloboEsporte.com, o pivô do escândalo no Timão se identifica como Carlos. Porém, durante a conversa, ele afirma ser pai de Caio Zanardi, ex-técnico da Seleção sub-17, que convocou Jabá em 2014. O nome verdadeiro do pai do treinador é Wilson Zaponi.
Embora Zaponi negue, há outros indícios de que ele seja a pessoa que se apresenta como Carlos, como um comprovante bancário e a alegação de seu próprio filho, Marcio Zanardi, de que a voz na gravação é do pai.
O homem que interage com Carlos na gravação é identificado como Luiz. Ele é um interlocutor do pai do lateral Felipe, que tenta obter privilégios para o filho no time sub-17 do Corinthians.
Caio Zanardi, demitido pela CBF em maio de 2015, é hoje técnico do time B do Atlético-MG. Em contato com a reportagem, ele afirmou que nunca sofreu interferência em suas convocações e fez críticas ao pai 
– A vida dele foi pautada em coisa errada, em golpes. Desde um "gato" na conta de luz a cheques sem fundo. De certa forma, isso foi bom para mim, me fez ir para o lado contrário. Se você me perguntar: "Está surpreso?" Não estou. "Decepcionado?" Não estou. Ele fez isso a vida inteira. Mas a minha vida foi pautada em honestidade, buscando o melhor para mim e minha família. Desde que entrei no futebol meu pai nunca se envolveu comigo.
Desde o mês passado no Akhmat Grozny, da Rússia, Léo Jabá teve passagens por diferentes categorias da seleção brasileira, com treinadores distintos. Silvano, pai do ex-jogador do Timão, disse não conhecer Wilson Zaponi e negou ter participado de qualquer negociação para que o filho fosse convocado.
– Graças a Deus, meu filho está onde está sem eu nunca ter gastado um centavo. Ele sempre chegou pela capacidade dele, nunca precisou de favor de ninguém – falou.
Na gravação publicada acima, Carlos reforça o que já havia dito nas conversas divulgadas pelo GloboEsporte.com na última semana: era preciso pagar a membros da comissão técnica da base do Corinthians para ter chances atuar. Ele também indica que alguns jogadores eram "apadrinhados" por dirigentes. O clube, por meio de nota, alegou desconhecer tal prática e destacou que tem adotado medidas para coibir a ocorrência de irregularidades nas categorias inferiores.
Em nota, a CBF informa que o técnico Caio Zanardi não faz parte do seu quadro de funcionários desde maio de 2015 e que desconhece qualquer influência externa na convocação de atletas para suas seleções.
Confira abaixo entrevista com Caio Zanardi, ex-técnico da seleção sub-17:
Seu pai te pediu a convocação do Léo Jabá ou de qualquer outro jogador?
Nunca. A gente estava distante e eu também não controlava o que ele fazia. A minha vida com ele foi quase sempre assim: distante. Mas a partir do momento em que ele começa a se aproveitar do meu trabalho, aí é complicado.
Enquanto você esteve na Seleção, ele nunca te indicou atletas?
Nunca. Fiquei quase dois anos e meio na Seleção, fiz um trabalho brilhante e nunca fui procurado por ninguém para convocar A, B ou C. Ninguém me procurou para falar de jogadores. Tive todos os erros e acertos com base nas observações que eu fazia, a responsabilidade era só minha e da comissão. Eu convocava os melhores. Acertei, errei, fui campeão Sul-Americano...
Então você diz não saber destas negociações que, supostamente, envolviam seu pai?
Nunca ouvi falar, fiquei sabendo na semana passada, pela reportagem. Mesmo porque não tenho aproximação com ele. O bandido é oportunista. O que o bandido faz? Ele espera oportunidade para te assaltar. Esse tipo de pessoa é oportunista. Ele quer um benefício próprio usando o nome de terceiro, neste caso os dos filhos, o que foi uma covardia.
Você convocou o Jabá apenas por ver qualidades nele?
O Léo Jabá era um dos melhores jogadores da categoria, tinha muita força e vinha sendo destaque em todas as competições. O convoquei algumas vezes, porém nestas vezes ele não conseguia jogar na Seleção. No Corinthians voava baixo, mas nas convocações apresentava dificuldades. A mídia pedia ele, torcida também, mas eu não o levei mais para a Seleção. Tanto que no Sul-Americano em que fomos campeões ele não esteve.
Você diz que sabia de práticas irregulares do seu pai. Alguma delas envolvia o futebol?
Não, nada com o futebol, até porque não é o ambiente dele. Eu me surpreendi de ele entrar nesse meio sem a gente saber, o que foi uma covardia. Mas eu não sabia, nunca ninguém me falou. Estou arrebentado, doído pela situação. Mas a pessoa nasce com esse caráter, isso não muda. Ele teve problema com minha mãe, com os irmãos... Não dá para falar que foi criação, porque os irmãos dele são pessoas dignas.
Você adota discurso parecido com o do seu irmão, Marcio Zanardi.
É difícil para a gente falar do pai, mas ele é golpista, pilantra... É triste para um filho crescer nesse ambiente e ir para o outro lado, mas eu sempre fui honesto, tenho filho, família e uma carreira sólida no futebol. Estamos falando de um familiar, que a gente não escolhe. Cada um carrega um fardo, e surgiu este pesado para a gente carregar. Eu nunca soube do que ele fazia usando nosso nome. Fui apunhalado pelas costas.

Globo.com
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