Como é o curso de treinadores da CBF que custa até R$ 40 mil e tem sensação Carille ainda como aluno

 
Fábio Carille é sensação do Brasileirão, mas ainda é aluno em curso de técnicos
Fábio Carille é o técnico sensação do Brasil em 2017. Campeão paulista, líder isolado do Brasileirão com 89% de aproveitamento após 13 rodadas e ainda invicto, o jovem treinador de apenas 43 anos está no seu primeiro ano como treinador efetivo. Justamente por isso, ainda é aluno no curso promovido pela CBF Academy.
O comandante corintiano está no último ano da graduação para obter a licença profissional de técnico da CBF, em curso promovido pela entidade a todos os treinadores do país.
A formação apresenta quatro módulos: licença C, B, A e PRO. Carille já passou pelas etapas anteriores, inclusive tendo lecionado no penúltimo estágio. Além dele, também foram professores no curso da CBF Academy outros nomes renomados do futebol brasileiro.
"Temos vários instrutores no Brasil. Parreira, Lazaroni, Mahseredjian, Micale, Eutrópio e outros foram alguns que deram aula nas licenças A e PRO", disse Maurício Marques, coordenador do curso, em conversa com o ESPN.com.br. "É um curso de qualificação e especialização", continuou.
Para se candidatar, é necessário ser profissional de educação física ou ex-atleta. Assim, começa na etapa C, destinada a quem trabalha em escolas de futebol. O estágio posterior, o B, é destinado a quem está em categorias de base de clubes, enquanto o seguinte é para quem se encontra em etapa mais avançada na carreira. O último nível é para trabalhos internacionais ou convidados.
"E necessário mil horas de atuação e experiência profissional comprovada, que domine o nível que está. A licença PRO só entra por convite, quem tem atuado em séries A e B, ou que vem do exterior ou em clubes das principais divisões", detalhou o coordenador do curso. A promessa é que um renomado técnico alemão e outro holandês venham dar aulas ainda em 2017.
Ao todo, o investimento total para quem passar por todos os degraus do curso supera R$ 40 mil. Os valores exatos são R$ 5.267,50 pelo nível C, R$ 7.250,80 pelo B, R$ 9.926,00 pelo A e mais R$ 18 mil no estágio profissional, o último. Além de Carille, também estão cursando este último nível do curso Vinicius Eutrópio, da Chapecoense, e Doriva, do Atlético-GO.
Zé Ricardo, do Flamengo, está na turma A, assim como Alexandre Gallo, do Vitória, Claudinei Oliveira, do Avaí, Roger Machado, do Atlético-MG, Jorginho, do Bahia, e Jair Ventura, do Botafogo. Eduardo Baptista recentemente terminou esta etapa e, segundo a CBF, será convidado agora ao último nível.
Apesar do investimento de R$ 40 mil, a entidade disponibiliza diversos fundos e bolsas aos profissionais que não têm condições de pagar, além de descontos de até 50%, segundo Maurício Marques. "Estamos no 10º curso esse ano e temos uma proposta para regionalizar, fazer em todos os estados do Brasil. São, no máximo, 50 alunos por turma", explicou.
A CBF informou à reportagem que, até o fim do ano passado, já emitiu 1,7 mil certificações. A meta, agora, é alcançar mais de 5 mil certificados nos próximos três anos. Além do que, a entidade já entrou em contato com a Fifa para obter a mesma equiparação que as licenças da Uefa, e recebeu o apoio da Conmebol.
"De acordo com o protocolo da FIFA, a CBF por ser uma confederação nacional não pode fazer encaminhamentos à Uefa, confederação continental. Então, a solicitação foi feita à Conmebol que já iniciou as tratativas para que as licenças da CBF possam ser reconhecidas pela Uefa", informou a CBF ao ESPN.com.br.
O licenciamento do curso da CBF prevê que a partir de 2019 os técnicos da Série A devem possuir a licença A ou PRO para estarem trabalhando. Mas esse estudo está sendo feito pela diretoria de registro e patrimônio, e esse cronograma será escalonado conforme indicado nesse diagnóstico, conforme disse a confederação.
No total, as licenças da CBF possuem mais carga horária que os cursos oferecidos pela Uefa e Conmebol. No nível PRO, por exemplo, são 370 horas, contra 369 da entidade europeia e 360 da sul-americana. Nos estágios B e A, são 270 e 200 horas, respectivamente, bem mais também do que nas federações continentais. Na C, são mais 140 horas/aula.
A CBF Academy também oferece oito cursos técnicos, alheios aos já citados. Esses são especificamente voltados a coordenação técnica, análise de desempenho, identificação de talentos nas categorias de base, treinamento de goleiros, preparação física, entre outros.
Todos os cursos e licenças acontecem pelo menos uma vez ao ano na CBF, nas sedes da Barra da Tijuca e Granja Comary. "Os acréscimos ao calendário de cursos e licenças variam de acordo com as demandas que chegam de cada região do país", disse a CBF.

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