Vice-presidente da FPF entra com ação contra Amadeu para tirá-lo do cargo

Foto: FPF
Federação Paraibana de Futebol (FPF) volta a ser alvo de uma crise política. Isto porque o presidente Amadeu Rodrigues é alvo de uma ação na Justiça impetrada pela Liga Desportiva de Santa Rita e pelo Cruzeiro de Itaporanga, que tem como presidente Nosman Barreiro, que também é vice-presidente da própria FPF. E o motivo, segundo Nosman (que quer herdar a vaga de Amadeu), é a falta de transparência na prestação de contas do ano de 2015.
- Reuni 49 assinaturas de times amadores, profissionais, de ligas e não peguei mais porque não fui atrás. Estas pessoas entraram no ano passado com uma ação administrativa na FPF pedindo prestação de contas, mas foram ignoradas. Ninguém foi convidado para a prestação de contas. Ele (Amadeu) fez uma reunião com quatro pessoas do Conselho Fiscal e enviou para a CBF. Então, entramos na esfera criminal e civil pedindo transparência, e caso não seja cumprido, ele será afastado - explicou o vice-presidente da entidade.
Acusação esta que Amadeu rebate. Além de dizer que as acusações não têm fundamentos, o dirigente da entidade falou que Nosman desrespeitou o estatuto da FPF e, por isso, o Cruzeiro pode ser desfiliado.
De acordo com o presidente da FPF, a maioria das assinaturas mencionadas por Nosman são falsas.
- Já liguei para vários presidentes de clubes cujas assinaturas aparecem no documento e estes garantem não terem assinado nada. Isso vai complicar para ele. Porque vamos processá-lo. A coisa é séria. Mas é tudo mentira. Ele toma como base a Lei 13.155, que é a Lei do Profut. Essa lei trata de dinheiro público recebido, mas a FPF nunca recebeu dinheiro público em minha gestão. A gente tentou patrocínios com os Correios e com a Caixa, mas nenhuma das duas deram certo - explicou.
Em seguida, Amadeu chegou a comparar a situação da entidade máxima do futebol paraibano com a questão política do Brasil:
    - Ele está dando uma de Temer. Querendo assumir sem voto - dispara Amadeu Rodrigues.
Eleição e rompimento da chapa
Amadeu e Nosman foram eleitos em 12 de dezembro de 2014 com 52,85% dos votos, em uma chapa apoiada pela ex-presidente Rosilene Gomes, e tomaram posse em 2 de janeiro do ano seguinte. Entretanto, Nosman contou que quatro meses depois os dois romperam relações e, por isso, ele se manteve afastado da Federação.
Em agosto do ano passado, houve rumores de renúncia por parte de Amadeu, após ele ter sido derrotado na assembleia extraordinária na qual pretendia mudar o Estatuto da entidade. Nosman chegou a dizer que Amadeu tinha elaborado uma carta-renúncia, mas ele seguiu à frente da entidade.
Inclusive, foi divulgado na época que a tentativa de mudança do Estatuto da FPF por Amadeu gerou rompimento com a ex-presidente Rosilene Gomes. Mas Nosman declara que o racha entre os dois aconteceu bem antes.
- A ingratidão que ele cometeu com Rosilene Gomes é inaceitável. A eleição dele se deve 70% a ela e 30% a mim. Ele não tinha votos, mas depois que ganhou se afastou de todos. Para se ter uma ideia, ele não convidou Rosilene nem para a posse. Como ela se afastou, estive convivendo e querendo as coisas corretas, mas quatro meses depois eu saí. Depois tivemos um rompimento total porque eu não concordava com a forma dele. A forma dele não é transparente, ele quer tudo escondido. O que nós queríamos era uma administração transparente - destacou Nosman.
O vice-presidente ainda disse que apesar de estar à frente do processo, ele é apenas um porta voz dos clubes que querem saber se houve "desvio de finalidade do dinheiro repassado para a Federação".
Mas, de toda forma, é o próprio Nosman que se beneficiaria em caso de afastamento de Amadeu Rodrigues da presidência da FPF.
- Eu acho que ele vai ser afastado porque não vai conseguir prestar as contas. Ele atribui só a mim a ação, mas se ele tivesse feito tudo correto, não precisava disso. Eu entendo de futebol e de esportes e ele não entende de nada. Eu só fazia somar e quando não estava nos interesses dele, fui escanteado. Mas fui eleito pelos clubes, tem um mandato que falta um ano e oito meses para terminar. Então, se ele cai na inocência de que vai me banir, ele não sabe de nada - disparou.
O banimento citado por Nosman é porque Amadeu chegou a falar da possibilidade de desfiliação do Cruzeiro de Itaporanga da Federação, uma vez que a ação foi impetrada na justiça comum, antes de esgotadas todas as esferas na justiça desportiva. Algo que o Estatuto da FPF não permite, conforme disse o mandatário da entidade.
- Ele desrespeitou o Estatuto da FPF. Por isso, o seu clube, o Cruzeiro, pode até ser desfiliado. Ele já está armando o palanque da oposição. A oposição ganhou força depois que demos o grito de liberdade - comentou Amadeu, relembrando o episódio da tentativa de mudança do estatuto.

Por Hévilla Wanderley
Globo Esporte-João Pessoa
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